O torcedor vascaíno sofreu ao acompanhar as inúmeras derrapadas do time na Série B, imaginou o pior, mas finalmente respirou aliviado. E o momento mais importante do ano não poderia ter outro desfecho. Com mais uma atuação irregular e debaixo de vaias ao apito final, o Cruzmaltino empatou com o Icasa por 1 a 1 - gols de Kleber e Nilson - e confirmou o retorno à elite em um Maracanã lotado neste sábado.

A campanha recheada de tropeços fez a possibilidade de título se esvair rodadas atrás. Mas os 63 pontos conquistados e o 3º lugar na tabela foram suficientes para garantir a tímida festa no palco que sediou por tantas vezes títulos históricos. Entre lágrimas e canções exaltando a história centenária, ficou uma certeza aos torcedores que acompanharam a segunda disputa de Série B desde 2009: o desejo de retomar a trajetória de vitórias e jamais vivenciar novamente drama semelhante.

Fases do jogo: 
O Vasco partiu com tudo para cima do Icasa logo no início do jogo. No ritmo da arquibancada, o time enfileirou três oportunidades de gol antes mesmo dos 5min. As chances viraram combustível para a torcida e empolgaram a equipe. Mesmo assim, o cuidado com os contragolpes dos visitantes era imprescindível.

Aos 11min, Douglas acertou um belo voleio. Busatto espalmou. Aos 19min, novo lance de perigo em arremate de Maxi Rodríguez e conclusão precipitada de Douglas. O Icasa respondeu aos 22min. Mauri puxou contra-ataque e cruzou rasteiro. Nilson chegou atrasado e a bola passou quase por cima da linha. Aos 23min, Martin Silva fez defesa espetacular em chute de Mauri.

A angústia cruzmaltina terminou aos 34min. Depois de tanto insistir e deixar a torcida aflita, Douglas cobrou falta e Kleber testou livre para o fundo gol. O Maracanã explodiu ao som de "Vamos subir, Vasco". A partir daí, a expectativa pelo apito final cresceu ainda mais. Porém, ainda era necessário aguardar todo o segundo tempo.

E os 45 minutos finais começaram com um susto. Aos 9min, Nilson aproveitou disputa de bola e chutou do meio da rua no ângulo de Martin Silva. O empate esfriou a torcida do Vasco. O clima de tensão foi até o último minuto de jogo. Os donos da casa pouco criaram, foram vaiados nos piores momentos, principalmente ao término do jogo, mas respiraram aliviados. O Club de Regatas Vasco da Gama está de volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.


O melhor: Kleber - Autor do gol do Vasco, o jogador se apresentou, teve dificuldades com a defesa adversária, mas o esforço foi recompensado.

O pior: Thalles - O atacante do Vasco colecionou erros e foi insistentemente vaiado pela torcida no segundo tempo até ser substituído por Edmilson.

Chave do jogo: O gol marcado por Kleber no primeiro tempo deu ao Vasco a vantagem necessária para empatar e cumprir o objetivo do acesso.

Para lembrar: O Vasco viveu o drama da Série B por quase um ano. O time foi rebaixado em 8 de dezembro de 2013 e tardou a garantir o retorno à elite. Desde os episódios de violência em Joinville no jogo que resultou na queda até o esperado alívio, o clube de São Januário enfrentou protestos da torcida, instabilidade, demissão de técnico, eleição presidencial, mas finalmente voltou ao grupo principal do Campeonato Brasileiro, no qual possui quatro títulos (1974, 1989, 1997 e 2000), sendo considerado um dos principais vencedores.

VASCO 1 X 1 ICASA

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Wagner Reway (MT)
Auxiliares: Paulo Cesar Silva Faria (MT) e Fabio Rodrigo Rubinho (MT)
Renda: R$ 1.662.405,00
Público: 49.559 pagantes; 56.334 presentes
Cartões amarelos: Ivonaldo, Nilson, Júnior Barros e Lucas (Icasa)
Gols: Kleber, aos 34min do primeiro tempo, Nilson, aos 9min do segundo tempo

VASCO
Martin Silva; Carlos César (Lorran), Rodrigo, Luan e Diego Renan; Guiñazu, Fabrício, Douglas e Maxi Rodríguez (Lucas Crispim); Thalles (Edmilson) e Kleber
Técnico: Joel Santana

ICASA
Busatto; Naylhor, Marco Tiago e Gilberto; Ivonaldo, Neto, Mauri, Lucas e Zeca (Bismark); Júnior Barros (Nubio) e Nilson (Roger)
Técnico: Vladimir de Jesus


Comentário do jornalista Alexandre Garcia sobre a corrupção no governo e a reeleição de Dilma Rousseff

” 53 milhões de eleitores aprovaram tudo isso … não me venham dizer que não são cúmplices”

” A Presidente Dilma disse na Austrália, na reunião do G20, que o governo dela é o primeiro na história que investiga a corrupção. Vamos parar com esse “messianismo arrogante”

Confira o áudio aqui

Via: Poços 10
MEGA SENA - Concurso nº 1655 
Estimativa de prêmio será em torno de R$ 135 milhões de reais, segunda a própria Caixa.


Números na ordem do sorteio:
56 - 46 - 07 - 24 - 28 - 53 

- Sorteio realizado nestes sábado 22 na cidade de Macatuba/SP

- Arrecadação total de R$ 197.023.822,50

Faixa de premiação Nº de ganhadores Valor do Prêmio (R$)
Sena                                       2               67.657.559,48
Quina                                 704                      16.384,73
Quadra                          39.616                           415,95

02 Ganhadores da Mega Sena:

Sendo um na Cidade de Cianorte - PR e o outro na Cidade do Rio de Janeiro - RJ

Estimativa de Prêmio para o próximo concurso, a ser realizado 26/11/2014
R$ 2.500.000,00 

Valor acumulado para o próximo concurso de final zero (1660):
R$ 13.356.141,22

Valor acumulado para o sorteio da Mega da Virada :
R$ 77.335.223,56

Observação:

- Você pode receber prêmios de até R$ 1.787,77 em qualquer casa lotérica credenciada ou nas agências da C.E.F. Acima desse valor, somente nas agências da C.E.F.
- Valores iguais ou acima de R$ 10.000,00 serão pagos após 2 dias de sua apresentação na Agência da C.E.F.
- A programação das loterias está sujeita a alterações.
- Confira o bilhete recibo impresso pelo terminal. Para as apostas efetuadas na lotérica, o recibo ele é o único comprovante para o recebimento do prêmio.


Lobista é acusado de ser operador do PMDB no desvio de recursos da Petrobras


CURITIBA - O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, já presta depoimento na Superintendência da Polícia Federal, onde está preso. Ele se entregou à polícia na noite de terça-feira depois de ser considerado foragido e ter seu nome incluído na lista da Interpol. Fernando Soares é apontado pelo doleiro Alberto Youssef como operador do PMDB no desvio de recursos da Petrobras. Na imagem ao lado no momento que chegava ao IML para exame de corpo de delito na última quarta feira.

Segundo o advogado Mário Oliveira Filho, Fernando Soares vai confirmar que mantinha negócios lícitos com a Petrobras, porém, vai negar que tenha ligação com o PMDB.

O Sistema de Atendimento ao Poder Judiciário do Banco Central informou à Justiça Federal de Curitiba que foram bloqueados R$ 8.873,79 da conta de Fernando Soares. A sua conta não foi a única a ter dinheiro bloqueado. Até quinta-feira, haviam sido bloqueados R$ 47,2 milhões nas contas de 16 dos presos na sétima fase da Operação Lava Jato, a maioria dirigentes de empreiteiras, e de três empresas.

PMDB TENTA SE DISTANCIAR

A cúpula do PMDB tenta se distanciar de Fernando Soares. A intenção é utilizar o discurso de que Baiano pode ser conhecido de alguns peemedebistas, mas não é ligado ao partido. Integrantes do partido já lembram que depoimentos mais recentes apontaram ligação de Fernando Baiano com Néstor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional a Petrobras, que teria sido indicado para o cargo pelo PT. Cerveró está sendo investigado pela compra da refinaria de Pasadena. O líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), disse na última segunda-feira ao GLOBO que "não tem nenhum relacionamento ou relação com Fernando Baiano", mas admitiu que o recebeu, em seu escritório no Rio, na condição de representante da empresa espanhola Acciona, que fez obras no Rio em empreendimentos de Eike Batista. Cunha vem dizendo a aliados estar tranquilo com as investigações.

A defesa de Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente executivo da Mendes Júnior, ingressou na Justiça Federal com pedido “sui generes” nesta sexta-feira: o de troca de pedido de prisão preventiva por outras medidas cautelares. Segundo o advogado Marcelo Leonardo, Cunha Mendes se compromete a não participar de cartel de empreiteiras nem fazer doações durante campanhas eleitorais. No pedido, que ainda será analisado pela Justiça, ainda foram acrescentados como medidas cautelares o executivo entregar o passaporte, não sair de casa à noite, entregar documentos e se apresentar à Justiça quando solicitados.

A defesa alega ainda que o empresário teve bloqueados R$ 700 mil na sua conta corrente. - Ao contrário de outros investigados, ele não zerou a sua conta. Ele tem os requisitos para deixar a prisão - disse o advogado. O Globo

Empresários e advogado recebem documento para buscarem atrasados na Justiça. Inadimplência e derrota para Romário deixam débito próximo do que era em 2008

Por Raphael Zarko / Rio de Janeiro

O ex-presidente Dinamite se confraterniza em clima cordial com Eurico Miranda (Foto: Divulgação / Paulo Fernandes)


O presidente Roberto Dinamite passa o poder para Eurico Miranda no próximo dia 2 de dezembro. Antes da sucessão, o ex-jogador deixa para o presidente eleito, que retorna à presidência seis anos depois de se afastar de São Januário, novas confissões de dívidas para a administração do novo manda-chuva da Colina. Nos últimos dias à frente do clube, Dinamite assinou confissões de dívidas de empresários e ex-funcionários que prestaram serviço ao Vasco. A mesma prática foi contestada pela atual gestão em casos que ficaram famosos, como de Romário. Após batalha judicial, o jurídico do Vasco buscou acordo e voltou a pagar o ex-atacante. Com a volta de Eurico, ainda há um débito próximo de R$ 18 milhões com o Baixinho.

Nesta semana, o advogado do Vasco Marcello Macedo entrou na Justiça com cobrança de R$ 3,8 milhões. No balanço de 2012, o clube exibia dívida de R$ 2,4 milhões com o escritório de Macedo. A nova gestão deve contestar os honorários advocatícios cobrados pelo advogado da gestão Dinamite, com quem Eurico chegou a se desentender publicamente.

Além da dívida com jogadores dos times de 2011 e 2012 - casos de Carlos Alberto, que entrou pedindo R$ 9 milhões na Justiça, Fernando Prass, Alecsandro, Wendel, entre outros -, há casos que podem emperrar o funcionamento da nova gestão Eurico. Apesar de duas confissões de dívidas assinadas com Pedrinho Vicençote, empresário dono do centro de treinamento de Itaguaí, o clube estava há meses inadimplente no pagamento de R$ 60 mil mensais pelo aluguel dos campos da base. A estimativa é de que essa dívida esteja próxima a R$ 2 milhões. Em 2012, segundo balanço patrimonial, era de cerca de R$ 600 mil.

Em valores menores, comissões atrasadas de empresários de jogadores, pagamentos a prestadores de serviços e rescisões de profissionais que passaram pelo futebol também viraram documentos de confissões de dívidas e estão passando nos últimos dias pelo jurídico do clube nesse fim de gestão Dinamite. Apesar do clima de conciliação pregado pelo grupo de Eurico, há intenção de realizar análise rigorosa da documentação que não foi aprovada no balanço do clube. O ano de 2013 deve ir a julgamento somente no início da administração Eurico Miranda. Empresários que apoiaram Dinamite e estavam do lado de Julio Brant nessa eleição, como Olavo Monteiro de Carvalho e Jorge Salgado, também devem entrar na fila para receber.

Quando saiu do poder vascaíno em 2008, Eurico havia deixado duas altas dívidas para Dinamite que foram contestadas na Justiça. Uma delas, de José Luis Moreira, antigo aliado de Eurico e novo vice-presidente de futebol do Vasco, está sendo contestada até hoje no judiciário - com vantagem para os advogados da gestão Dinamite, que impediram penhoras em nome do empresário. Eurico apresentou confissão de dívida com Moreira, em 2008, de quase R$ 5 milhões. O Vasco reclamou na Justiça de ausência de comprovantes do empréstimo. 

O caso de Romário quase inviabilizou a gestão Dinamite, que classificava como "herança maldita" as séries de ações trabalhistas e cíveis que Eurico deixou de sua administração. O Baixinho chegou a ganhar na Justiça a penhora dos direitos de quatro jogadores, entre eles o zagueiro Dedé e o volante Fellipe Bastos, que não foi para o Internacional por esse motivo no ano passado. Em 2004, Eurico assinou a confissão de dívida e aprovou o débito no balanço patrimonial do clube. A quantia de R$ 23 milhões era referentes a empréstimos ao caixa do clube, premiação e direitos de imagem devidos ao craque. Na troca de Eurico por Dinamite, o clube interrompeu o pagamento quando ainda faltava quitar por volta de R$ 14 milhões do total.

A briga na Justiça durou até fevereiro do ano passado. Pelas correções, juros e multa, o Baixinho pedia quase R$ 60 milhões do Vasco na Justiça, que deu ganho de causa ao ex-jogador e obrigou o clube a buscar um acordo. Quando Eurico deixou o clube, o Vasco ainda devia cerca de R$ 15 milhões. No novo acordo, após anos rejeitando a dívida, o clube passou a pagar R$ 150 mil em 120 meses. O novo presidente reassume o Vasco devendo a Romário pouco menos - por volta de R$ 14 milhões - do que faltava quitar à época que deixou São Januário em 2008. GE


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A democracia brasileira acaba de receber a principal garantia que a sociedade poderia lhe proporcionar.

A garantia do povo, do mesmo povo que acabou de reconduzir a presidenta ao Planalto e quer lhe dar tempo e paz para poder fazer as mudanças necessárias.

João Pedro Stédile, uma das lideranças mais influentes do Movimento dos Sem Terra, e, portanto, uma das vozes mais ouvidas pelos movimentos populares do Brasil, deixou claro: nada de golpe, nada de impeachment.

O povo costuma ter mais paciência e bom senso até mesmo que nós, intelectuais progressistas, e não entra tão fácil na onda neurastênica e paranóica das redes sociais.

Stédile reitera que os movimentos sociais permanecem muito esperançosos que o próximo mandato de Dilma, que sequer começou, será mais democrático e mais compromissado com as demandas populares.

Por isso, não querem nem ouvir falar de golpe, seja lá com que fantasia a direita e a mídia querem lhe disfarçar.

Se houver golpe, afirma Stédile, com toda a tranquilidade, os movimentos populares irão tomar as ruas e haverá revolta.

É um recado aos golpistas covardes, inclusive aos trolls que vem aqui no blog vomitar seu desespero de derrotados.

Botem seus cavalinhos na chuva. Podem espernear à vontade. Vocês perderam as eleições, e, se depender de mim e dos movimentos populares, vão perder por mais 480 anos. Só aí poderemos pensar em “alternância de poder”.

O governo federal está investigando, e cortando na carne, pela primeira vez em nossa história, casos de corrupção de grande magnitude.

Apesar dos ataques diários e insanos do partido da mídia e seus braços no Estado, Dilma tem se fortalecido cada vez mais.

Para desespero dos coxinhas psicóticos, esse triste exército de zumbis criado por uma imprensa golpista e imoral, o povo enxergará Dilma como ela realmente é: a primeira presidente a combater a corrupção política que há séculos mina as bases da nossa democracia.

***
A entrevista abaixo foi publicada no site Brasil 247.

STÉDILE: “GOLPE DESTAMPARIA A REVOLTA POPULAR”

Em alta, recém chegado do Vaticano, onde participou de encontro de 100 movimentos populares do mundo com o papa Francisco, líder do MST não teme “viúvas da ditadura, que fizeram até o PSDB passar vergonha”; João Pedro Stédile afirma que qualquer tentativa de quebra da ordem institucional traria o elemento da violência; “Seria destampada a caixa de pandora da revolta popular”, avaliou; na condição de ser um dos poucos brasileiros que, com uma palavra, pode ‘colocar o povo na rua’, ele lembrou em entrevista ao 247: “Brincar com a democracia é muito perigoso”; ping pong

19 DE NOVEMBRO DE 2014 ÀS 14:13

Marco Damiani, 247 – O quadro referencial do MST João Pedro Stédile acaba de chegar do Vaticano. Pela primeira vez na história da Igreja, oficialmente um papa avaliza uma grande reunião de movimentos populares. No caso, o encontro de uma centena de entidades, pensada e organizada pelos brasileiros do MST com seus colegas de luta pelo mundo. “O papa Francisco demonstra ter consciência das mudanças que precisam ser feitas”, afirmou Stédile ao 247.

Mas, de volta ao Brasil, o que esperava o líder dos sem terra era um país em que setores de elite já discutiam as chances de uma quebra da ordem. Mais radicalmente, em cartazetes levados à avenida Paulista, em duas passeatas com menos de 5 mil pessoas no total, alguns pediram a tal “volta dos militares”. De modo mais sofisticado, articulações em Brasília, a partir do escândalo de corrupção na Petrobras, vislumbram a chance de envolver a presidente Dilma Rousseff entre o cientes e tomar-lhe, pelo impechment, o poder. Adeptos do caminho mais curto para este fim apostam num golpe de caneta do ministro Gilmar Mendes, do STF, que poderá censurar as contas da campanha do PT e atalhar uma crise institucional.

Stédile, um dos poucos brasileiros que tem condições, como se diz, de ‘colocar o povo nas ruas’, desdenha das três alternativas.

- Não vejo um movimento golpista. A conjuntura não permite, não haveria a menor chance de sucesso, diz ele.

- Numa hipótese mais radical, a burguesia sabe que estaria aberta a caixa de pandora da revolta popular. E isso é muito perigoso, completou.

Por e-mail, o líder popular que batalha há mais de 30 anos no mesmo campo social, sem ter caído em tentação de obter mandatos políticos ou assumir cargos bem remunerados deu as seguintes respostas às nossas perguntas:

247 – O sr. pressente algum tipo de movimento golpista contra a democracia e o resultado das eleições presidenciais? Onde ele se dá? Nas ruas, na mídia, na classe política?

João Pedro Stédile – Não vejo um movimento golpista. E não teria nenhuma chance de sucesso na atual conjuntura. Os tucanos chamaram mobilizações de protestos dia 15 de novembro, que são normais na democracia. E lá se infiltraram algumas viúvas da ditadura militar, que não merecem crédito, que não têm base na sociedade. Até os tucanos ficaram com vergonha. Os partidos da direita sabem que a tentativa de um golpe seria destampar a caixa de pandora da revolta popular. E isso é muito perigoso. A mídia no Brasil é o principal partido ideológico da direita. Mas sua função é manter o governo acuado, com medo de fazer mudanças. Além disso, fazer uma campanha permanente na sociedade mantendo a hegemonia da visão de mundo burguesa, defendendo sempre os interesses dos privilegiados e os falsos valores do individualismo, egoismo e consumismo, como se isso fossem valores da liberdade e da democracia.

- A tese de impeachment da presidente Dilma Rousseff pode prosperar? O sr. vê motivos para isso?
Não há nenhum motivo real. A presidenta não está envolvida em nenhum crime. Esse movimento é absolutamente antidemocrático, de quem não se conforma com a vontade da maioria do povo. Alegar conhecimento de fatos de corrupção em empresas estatais é simplesmente fantasioso. Os fatos que vieram à tona na Petrobras estão sendo perpetuados há 15 anos, segundo a Procuradoria-Geral da República, portanto, iniciaram no governo FHC. Os diretores envolvidos foram indicados por partidos conservadores. Não me consta que algum deles tenha ficha no PT. Por outro lado, há denúncias de corrupção no governo FHC e em muitos governos estaduais e municipais, e não tenho notícias de algum pedido de impeachment.

- Como o MST se posicionará diante desse quadro?

Defendemos que todos os casos de corrupção sejam investigados à exaustão e denunciados, sobretudo os corruptores, que na maioria das vezes saem impunes. Todos os que cometeram algum delito devem pagar por eles. É preciso que a sociedade se dê conta que a corrupção é um modo de agir permanente no capitalismo, em que as empresas e seus políticos procuram se apropriar de recursos públicos. Por isso, sempre existiu corrupção neste país. E a única forma de combatê-los, não é apenas usar a Polícia Federal, porque é impossível controlar. A forma de combatê-la é aprofundar mecanismos de participação popular na gestão pública, em que povo tenha mais informações e instrumentos para acompanhar. Enquanto a administração pública for apenas um privilégio de algumas pessoas, partidos e empresas, sempre haverá corrupção em todos os partidos que chegarem ao governo, seja federal, estadual e municipal.

- O fato de a presidente não ter criado nenhum fato político importante desde a eleição pode estar contribuindo para a desestabilização do governo?

Não acredito em desestabilização do governo. Estamos vivendo um período de transição do primeiro para o segundo mandato, que sempre é muito lento e tensionado, pelos grupos que querem influenciar o próximo governo. Embora para a pequena politica o fato da presidenta ter tirado uma semana de férias e depois uma longa viagem ao exterior estimulem especulações de todo tipo.

- Como os movimentos sociais e, em particular, o MST devem se comportar nesse quadro político agitado?

Esse período de transição até janeiro é sempre de debates e de expectativas. Acho que os movimentos sociais deverão se preparar e ampliar a pressão social nas ruas, fazendo luta social para que os problemas do povo sejam resolvidos de uma forma mais rápida. E nenhum governo do mundo, federal, estadual ou municipal funciona sem a pressão do povo. Os problemas de moradia, transporte público, especulação imobiliária, juros estratosféricos, falta de terra e vagas restritas na universidade estão ai, pedindo soluções urgentes.

- O que o sr. espera do futuro governo Dilma?

Espero que o governo saiba entender o recado das urnas e a vontade da imensa maioria de nosso povo. Nosso povo quer mudanças, mudanças no governo, mudanças na forma de fazer politica e mudanças que possam acelerar a solução de seus problemas. E o governo precisa sinalizar que quer fazer mudanças para resolver os problemas do povo. Esses sinais podem ser simbólicos na composição do novo ministério, como devem ser reais, na apresentação de propostas concretas.

Todos os movimentos sociais temos propostas concretas de soluções praticas. Basta o governo ser mais humilde, convocar cada setor e terá as propostas necessárias para as mudanças. Se o governo não fizer isso, corre o risco de cair num descredito popular e navegará na mesmice, do mais do mesmo, que não resolve nenhum problema e só aumentará a tensão social, que voltará nas ruas, com mais força. E ai contra o governo também.

- Qual sua expectativa sobre o tipo de oposição parlamentar que será feita?

O Congresso brasileiro infelizmente tem se revelado um balcão de negócios. O financiamento privado das campanhas deformou sua representação em relação à sociedade. Apenas dez empresas elegeram 70% dos parlamentares nestas eleições. O Congresso e a democracia brasileira foram sequestrados pelas empresas. Por isso, o povão não acredita mais nos políticos, porque não se sente representado. Os executivos das grandes empresas que se sentem representados por esse sistema político, por ter seus financiados nas campanhas no Congresso. Por isso, só há uma solução, realizarmos uma reforma politica, através da convocação de uma assembleia constituinte exclusiva do sistema político.

- O MST participa da campanha pela Constituinte do Sistema Político, que reúne 400 organizações. O que o movimento quer com essa campanha?

Nós temos uma plenária nacional com mais de 400 movimentos, entidades e organizações, organizamos mais de 2 mil comitês populares em todo o país. Recolhemos quase 8 milhões de votos de eleitores, exigindo a convocação de uma assembleia constituinte. Espero que os poderes da República entendam esse recado. A presidenta Dilma parece que entendeu.

O que queremos é que, seguindo o rito da lei, o atual Congresso aprove um projeto de decreto legislativo, que foi apresentado agora em outubro, com 188 assinaturas de deputados, para a convocação de uma plebiscito legal, em que a população seja consultada se quer ou não uma Assembleia Constituinte para fazer a reforma política. Aprovado o plebiscito, deveríamos realizá-lo ainda em 2015. Aprovada a convocação da Assembleia, que se formasse uma comissão de juristas indicados pelo Congresso para formatar uma proposta de eleição soberana, sem influência do poder econômico, garantindo representatividade popular, de etnias, gênero, para elegermos uma Assembleia exclusiva, para em curto prazo preparar um novo modelo de sistema político para o país. Uma reforma política que não se restrinja a regras de financiamento e listas de candidatos, mas que debata com a sociedade o modelo mais democrático para garantir que a vontade do povo seja cumprida. Para isso, é necessário fazer mudanças no Poder Judiciário e no atual monopólio da mídia, afinal, que fazem parte do nosso sistema politico.

- Como o sr. sente o clima político entre militantes de base e povo em geral? Há base social para uma ruptura institucional?

O povão quer mudanças, quer sinais concretos para acelerar a solução de seus problemas. Os militantes sociais estão organizando comitês e participando ativamente dos debates, para que possamos convocar uma assembleia constituinte. Percebo que há uma reanimação da juventude, em participar da politica. No meu entender, foi essa militância que no segundo turno garantiu a vitória da Dilma, com sua mobilização na campanha. Não há risco de ruptura institucional. O que viveremos no próximo período é um quadro de muitos conflitos, debates e confusão ideológica.

Cabe aos movimentos seguir organizando o povão para fazer luta social. E cabe ao governo dar sinais que quer mudanças.

- Qual sua avaliação sobre a Operação Lava Jato e a situação interna de corrupção na Petrobras?

Sabe-se pela imprensa que esse esquema está montando na Petrobras desde os tempos do governo FHC. É uma vergonha que muitos diretores se locupletaram e se desviaram milhões. Uma vergonha que as empresas pagassem esse pedágio e certamente incluíam depois no custo das obras. Esperamos que a Polícia Federal e a Justiça Federal sejam transparentes, para que toda a sociedade possa acompanhar a realidade dos fatos. Os responsáveis devem ser punidos pelos desvios. O que não podemos aceitar é uma partidarização, que a mídia burguesa está tentando fazer, como se fosse um esquema do PT. Os corruptos e corruptores não tem partidos, têm apenas interesses pessoais. O salutar seria que todas as empresas estatais, do governo federal e de alguns grandes estados como Minas, São Paulo e Rio, também passassem por esse pente fino. A corrupção é um modo particular do capitalismo funcionar na gestão dos recursos públicos.

- O País está avançando institucionalmente, em razão das prisões, finalmente, de corruptores e corruptos, ou esse é apenas um dado normal de um país democrático?

A democracia não pode ser medida pelo número de prisões. A democracia deve ser medida pelo grau de participação popular efetiva nos destinos da Nação. A democracia deve ser medida pelo grau de igualdade que todos os cidadãos devem ter em relação a oportunidades de ter trabalho, terra, moradia, educação e cultura. Infelizmente, o Brasil está muito longe de ser uma sociedade democrática. Ao contrário, estamos entre as sociedades de maior desigualdade social do mundo, apesar de termos a oitava maior riqueza. Portanto, somos uma sociedade altamente antidemocrática.

- O MST pretende se pronunciar formalmente sobre o momento político?

Já estamos nos posicionando nas plenárias de nosso movimento, fazendo debates com nossa militância, participando das plenárias com outros movimentos sociais, nos reunindo com parlamentares e políticos amigos. Nossa pauta é seguir organizando o povo, para lutar por terra, lutar por uma reforma agraria popular, e lutar por uma sociedade mais justa e democrática.

- Quais os reflexos para a luta no campo das confabulações políticas em Brasília?

Brasília é uma ilha da fantasia. O mundo real dos problemas do povo, da cidade ou do campo, ficam muito longe das preocupações de Brasília. Os governos em geral sempre são muito burocráticos e desvinculados da vida real. Como dizia um mestre: ” os governos em geral são surdos e cegos” para as demandas populares. Daí a necessidade do povão se organizar e lutar por seus direitos.

Nós, do MST, esperamos que o Governo Dilma faça muitas mudanças em Brasília no próximo período. Mude a orientação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra. Mude o jeito de administrar a Conab- Companhia Nacional de Abastecimento, transformando-a numa grande empresa que compre todos os alimentos produzidos pela agricultura familiar e garanta o abastecimento a baixos preços aos trabalhadores. Mude a forma de administrar a educação, enfrentando os problemas do analfabetismo, que ainda atinge a 14 milhões de trabalhadores adultos. E a universalização do acesso dos jovens à universidade, hoje restrito a apenas a 15%.

Esperamos que a Dilma chame o MST, os movimentos da Via Campesina e chame todos os movimentos populares para ouvir nossas propostas de soluções de problemas, assim como fez nas eleições. Espertamos que o governo compreenda que só a convocação de uma Assembleia Constituinte pode de fato construir uma reforma politica, que devolva a democracia ao povo.

- O governo da presidente Dilma tem condições de retomar a iniciativa política? Quais medidas deve tomar?

As urnas deram esse poder da iniciativa politica à presidenta. O governo deve atuar de forma simbólica, sinalizando para o povo e para as organizações populares que quer mudanças, ao reorganizar o ministério. E preparar medidas de impacto popular já no primeiro trimestre. O povo está de olho esperando esses sinais.

- O sr. concorda com a tese de que o novo governo ficou velho antes mesmo de ser anunciado?

Não concordo. O governo não tem idade. Ele precisa é demostrar claramente de que lado está. Se está do lado dos bancos, dos especuladores, do capital estrangeiro, das empresas transnacionais, do latifúndio, ou do lado do povo.

- Em particular, qual sua avaliação sobre a postura política de líderes do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique, o senador Aécio Neves e outros?

Os tucanos têm o direito legítimo de se manifestar e fazer oposição democrática ao governo. Mas seu programa é do passado, e claramente vinculado apenas aos interesses dos bancos e das grandes empresas, o chamado programa neoliberal, que aplicaram durante oito anos no Brasil, e em São Paulo e Minas Gerais por mais de 15 anos. Foram derrotados, porque seu programa não resolve os problemas do povo, só aumentam. Por outro lado, sua postura politica é tipicamente de lideres partidários medíocres, expressão apenas das elites. Por isso, não têm lideres populares em quem o povo confia ou que possam mobilizar e sensibilizar as multidões.

- Como foi a experiência de ter participado do encontro de movimentos sociais no Vaticano? Como foi a experiência de encontrar o Papa Francisco? O que pode falar sobre ele?

A Igreja Católica passou os últimos trinta anos imersa numa visão conservadora do mundo. Isso levou o Vaticano a uma grave crise econômica, política e moral. Por isso, Ratzinger teve coragem de renunciar para encontrar uma saída para a crise. E a saída foi escolher um cardeal progressista, e pela primeira vez em dois mil anos, o primeiro Papa representante da América Latina e do Hemisfério Sul. O papa Francisco demonstra ter consciência das mudanças que precisam ser feitas.

Teve a generosidade e a sabedoria de convocar um encontro mundial, com cem líderes populares de todo o mundo, representantes dos mais diversos segmentos dos trabalhadores, dos mais pobres, sem perguntar qual era a crença, líder, ideologia e programa de cada um. Lá nos reunimos durante três dias para analisar a situação atual dos problemas do mundo. Avaliamos as razões e levantamos possíveis saídas. O papa Francisco esteve conosco e manifestou sua opinião num contundente discurso. Saímos de lá, todos, revigorados, percebendo que independente de etnia, crença ou idade, todos enfrentamos os mesmos problemas e que as soluções dependem de uma grande mobilização mundial. Quanto ao personagem Francisco, me surpreendeu pela simplicidade, coragem e sabedoria. Temos um papa gaúcho, mas acima de tudo universal.


O que é mais vergonhoso para um presidente da República? Ter as ações de seu governo investigadas e os responsáveis, punidos, ou varrer tudo para debaixo do tapete? Eis a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva

Por: Poços 10

Durante o governo do primeiro, nenhuma denúncia – e foram muitas – foi investigada; ninguém foi punido. O segundo está tendo que cortar agora na própria carne por seus erros e de seu governo simplesmente porque deu autonomia aos órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público. O que é mais republicano? Descobrir malfeitos ou encobri-los?

FHC, durante os oito anos de mandato, foi beneficiado, sim, ao contrário de Lula, pelo olhar condescendente dos órgãos públicos investigadores. Seu procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, era conhecido pela alcunha vexaminosa de “engavetador-geral da República”. O caso mais gritante de corrupção do governo FHC, em tudo similar ao “mensalão”, a compra de votos para a emenda da reeleição, nunca chegou ao Supremo Tribunal Federal nem seus responsáveis foram punidos porque o procurador-geral simplesmente arquivou o caso. Arquivou! Um escândalo.

Durante a sabatina de recondução de Brindeiro ao cargo, em 2001, vários parlamentares questionaram as atitudes do envagetador, ops, procurador. A senadora Heloísa Helena, ainda no PT, citou um levantamento do próprio MP segundo o qual havia mais de 4 mil processos parados no gabinete do procurador-geral. Brindeiro foi questionado sobre o fato de ter sido preterido pelos colegas numa eleição feita para indicar ao presidente FHC quem deveria ser o procurador-geral da República.

Lula, não. Atendeu ao pedido dos procuradores de nomear Claudio Fonteles, primeiro colocado na lista tríplice feita pela classe, em 2003 e, em 2005, ao escolher Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia do mensalão. Detalhe: em 2007, mesmo após o procurador-geral fazer a denúncia, Lula reconduziu-o ao cargo. Na época, o presidente lembrou que escolheu procuradores nomeados por seus pares, e garantiu a Antonio Fernando: “Você pode ser chamado por mim para tomar café, mas nunca será procurado pelo presidente da República para pedir que engavete um processo contra quem quer que seja neste país.”
 E assim foi.

Privatizações, Proer, Sivam… Pesquisem na internet. Nada, nenhum escândalo do governo FHC foi investigado. Nenhum. O pior: após o seu governo, o ex-presidente passou a ser tratado pela imprensa com condescendência tal que nenhum jornalista lhe faz perguntas sobre a impunidade em seu governo. Novamente, pesquisem na internet: encontrem alguma entrevista em que FHC foi confrontado com o fato de a compra de votos à reeleição ter sido engavetada por seu procurador-geral. Depois pesquisem quantas vezes Lula teve de ouvir perguntas sobre o “mensalão”. FHC, exatamente como Lula, disse que “não sabia” da compra de votos para a reeleição. Alguém questiona o príncipe?

Esta semana, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, colocou o dedo na ferida: “Os órgãos todos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisso, não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia, nos governos Fernando Henrique não havia autonomia, agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne”, disse Carvalho. É verdade.

Imediatamente FHC foi acionado pelos jornais para rebater o ministro. “Tenho 81 anos, mas tenho memória”, disse o ex-presidente. Nenhum jornalista foi capaz de refrescar suas lembranças seletivas e falar do “engavetador-geral” e da compra de votos à reeleição. Pois eu refresco: nunca antes neste País se investigou tanto e com tanta independência. A ponto de o ministro da Justiça ser “acusado” de não ter sido informado da operação da PF que revirou a vida de uma mulher íntima do ex-presidente Lula. Imagina se isso iria acontecer na época de FHC e do seu engavetador-geral.

O erro do PT foi, fazendo diferente, agir igual.

reprodução integral fonte : CartaCapital
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Agora que fomos informados de que “o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras,” conforme ensinam três procuradores do Ministério Público, convém fazer uma pergunta sempre necessária: onde foi parar o petrolão-PSDB?

É uma pergunta pertinente, em particular depois que Fernando Henrique Cardoso considerou-se no direito de se dizer “envergonhado” pelo escândalo, afirmação que obrigou Ricardo Boechat a fazer uma correção em publico.

Note-se que os procuradores falaram “há pelo menos quinze anos” como se fosse uma verdade conhecida e bem estabelecida, um fato que ninguém ousa contestar - como dizer que falta água em São Paulo, ou que choveu ontem em Brasília. Eu acho que o esquema é ainda mais antigo. Explodiu um grande escândalo numa das subsidiárias da empresa durante o governo de José Sarney.

Durante a ditadura militar, os generais também eram assombrados pelo fantasma de uma direção corrupta instalada na cúpula da empresa, num caso que só não vinha a público pela censura - o que ajuda a lembrar o caráter 100% ridículo dos protestos que pedem a volta dos militares para combater a corrupção.

Foi no Brasil de quinze anos atrás, durante o o governo de Fernando Henrique Cardoso, que ocorreu o mais ruinoso negócio da história da empresa: uma troca de ações entre a estatal brasileira e a espanhola Repsol.

A Petrobrás entrou com bens avaliados em US$ 3 bilhões, recebeu US$ 750 milhões e até hoje, quatorze anos mais tarde, ninguém pagou pelo prejuízo que é quatro vezes maior do que a lendária usina de Pasadena e jamais poderá ser compensado - ao contrário da refinaria, que tem dado lucros crescentes.

Parado no STJ, um processo sobre a troca de 2000 não apontou responsáveis nem condenou ninguém. Claro que ninguém foi preso sob a condição de só deixar o regime incomunicável depois de uma boa delação premiada, aquela que arrebenta a estrutura psicológica da pessoa mas não deixa marca sobre a pele - apenas sob a pele.

Será que alguém terá de devolver o prejuízo? Ou tudo vai prescrever?

Dois anos depois da AP 470, era de se imaginar uma investigação menos seletiva e mais isenta, traços indispensáveis de qualquer esforço para combater a corrupção - comportamento que pode ser definido, essencialmente, como a venda de acesso privilegiado aos cofres do Estado.

Na AP 470, os réus ligados ao PT foram julgados, condenados e cumprem pena, enquanto os acusados do mensalão-PSDB-MG sequer foram a julgamento, embora seu caso seja até mais antigo - a primeira denúncia, assinada pelo PGR Claudio Fontelles, chegou ao STF meses antes de Roberto Jefferson dar sua célebre entrevista. Os acusados do PSDB terão direito ao segundo grau de jurisdição - se é que é razoável imaginar que receberão alguma condenação em primeira instância - o que foi negado aos réus da AP 470.

O curioso é que basta consultar o TSE para descobrir que, em 2014, as empreiteiras que beneficiaram campanhas do PT e da base aliada também distribuíram recursos para seus adversários. Será que o dinheiro para uns era “limpo” e aquele dos outros era “contaminado”?

Um levantamento das contribuições para deputado federal feito pelo Correio Braziliense mostra que a bancada do PT e do PSDB disputaram a primazia de receber as maiores contribuições. Nenhum parlamentar recebeu uma doação tão generosa da UTC como um tucano da Bahia. Algum problema?

Nenhum - desde que se encare as descobertas da Lava Jato como aquilo que são, uma demonstração do casamento nefasto e muitas vezes impossível de distinguir entre verbas de financiamento de campanha e a corrupção pura e simples, responsável pelas imensas fortunas que empresários e executivos mantinham em paraísos fiscais fora do país.

A postura anti-PT dos delegados que comandam as investigações ameaça toda perspectiva de um trabalho isento e equilibrado.

Apenas uma investigação que não poupa aliados nem amigos pode levar o país a realizar uma mudança necessária em seus costumes políticos - proibindo contribuições de empresas privadas destinadas a alugar o poder político para reservar as campanhas e candidaturas a quem vota, o eleitor, e aquela instituição que o representa, o Estado. Fingir que há bons e maus, limpos e contaminados, é a melhor forma de trabalhar para manter tudo como está e sempre esteve. Quem ganha com isso?

Aqueles que pagam propina.

Postado por Miro

O deputado federal José Airton, ainda se encontra na China, onde esteve na província de Guangdong, e foi recebido pelo Diretor Geral Huang Yanghui, pelo vice Diretor He Wei e pela assisste Liang, que discorreram sobre as atividades desenvolvidas pela órgão de preparação, formação e capacitação dos trabalhadores do partido e do governo para os mais diversos assuntos políticos, econômicos, administrativos, sociais e culturais do povo da província.


A delegação foi recebida em uma recepção com brindes e um jantar oficial inesquecível oferecido pelo senhor Huang Xianyao que é Secretário da Comissão de Disciplina e Inspeção do PCC, entre outras autoridades também estava o Embaixador da China Pan Mingtao. A recepção aconteceu no Hotel DongFang de Guangdzu, capital da província de Guangdong. Nesse jantar o deputado José Airton fez um brinde ao Sr. Huang Xianyao e ao embaixador Pan Mingtao, em homenagem ao povo chinês e ao povo do Ceará na luta pela liberdade e independência, citando a bravura do conterrâneo Aracatiense de Canôa Quebrada, Dragão do Mar, contra o transporte de escravos negreiros na costa brasileira e o primeiro estado a declarar a abolida da escravidão no Brasil, antes da Lei Áurea de 1888, assinado pela Princesa Isabel.

A comitiva formada por 10 dirigentes do PT Nacional, encabeçada pela chefe da delegação Mônica Valente - Secretária de Relações internacionais do PT, Sra. Iole Iliada – Diretora da Fundação Perseu Abramo, Sr.Bruno de Oliveira Elias – Secretário de Movimentos Populares, Sra. Clarissa Lopes V.A da Cunha – vice-presidenta do PT, Sr.Jorge Luiz Cabral Coelho – vice-presidente do PT, Sra. Gleide Andrade de Oliveira – vice-presidenta do PT, Sr.Jefferson Ferreira Lima – Secretário de Juventude, Sr. Deputado Federal Luiz Carlos Caetano, PT da Bahia, Sra. Vereadora Juliana Cardoso ( membro da Executiva nacional do PT e vereadora em São Paulo). A comitiva viajou a convite oficial do Governo da República Popular da China. As passagens foram emitidas pelo governo chinês, bem com a hospedagem e translado internos.

O deputado ficará no país do dia 15 ao dia 22 de novembro, juntamente com uma delegação composta por 10 membros, para um encontro com líderes locais como o perfeito de Guangzhou que é membro de comitê permanente provincial de Cantão. De 19 a 22 de novembro a delegação estará em Pequim, Capital da China, para conversar sobre os temas: Resoluções da ultima sessão do Congresso do PC da China e Prioridades do novo governo presidido pelo sr. Xi Jinping.

Algumas particularidades na conjuntura internacional favorecem a possível eleição de Lula para o Conselho de Segurança da ONU

Nicolas Chernavsky*

Para analisar as chances de Lula ser eleito secretário-geral da ONU, primeiro é preciso saber como se elege a pessoa para este cargo. O mecanismo é basicamente que o Conselho de Segurança da ONU deve indicar um nome e a Assembleia Geral da ONU deve aprová-lo. O Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros, dos quais os cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França) têm direito a veto. Quanto a uma candidatura de Lula, na prática isso significa que a chave para sua eleição seria que nenhum membro do Conselho de Segurança vetasse seu nome, uma vez que numericamente, tanto entre os 15 países do Conselho de Segurança quanto na Assembleia Geral da ONU, Lula dificilmente não conseguiria aprovação.

O mandato do atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, vai até o final de 2016. Assim, a escolha formal de quem vai sucedê-lo ocorrerá em meados de 2016, daqui a aproximadamente 1 ano e meio. O mandato é de 5 anos renovável por mais 5, pois apesar de formalmente não haver um limite de mandatos consecutivos, o limite de dois mandatos tem sido uma tradição muito forte quanto ao cargo. Assim, os próximos 10 anos do cargo mais importante da ONU podem estar em jogo, e nesse caso, mesmo 1 ano e meio antes da decisão final, as negociações quanto às candidaturas já estão ocorrendo com relativa intensidade.

Uma vez que o desafio principal da eventual candidatura de Lula seria não ter o veto de nenhum dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, é preciso analisar as condições políticas de cada um desses cinco membros. É aí que reside a grande particularidade deste momento histórico que favorece a eleição de Lula. Nos Estados Unidos, é Barack Obama, do Partido Democrata, e não um presidente do Partido Republicano, que será o chefe de Estado do país durante todo o processo de negociação e eleição. Na França, é François Hollande, do Partido Socialista, que em 2012 venceu Nicolas Sarkozy e encerrou 17 anos seguidos em que os conservadores estiveram na presidência do país, que será o chefe de Estado no processo. No Reino Unido, haverá eleições gerais em maio de 2015, e o favorito para ser eleito primeiro-ministro é o atual líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, que disputará o cargo com o atual primeiro-ministro do Partido Conservador, David Cameron. Se Miliband vencer, estará no cargo desde um ano antes da escolha de próximo secretário-geral da ONU, ou seja, será a liderança decisiva do Reino Unido quanto à posição do Reino Unido. Na Rússia, o presidente durante todo o processo será Vladimir Putin, que muito dificilmente vetaria o nome de Lula, não só pela questão dos BRICS, mas por questões geopolíticas até mais amplas. Quanto à China, o nome de Lula atenderia a requisitos importantes do país, como o aumento da inserção da China na economia mundial através das parcerias globais que o país está estabelecendo com países de todos os continentes, incluindo fortemente América Latina e África.

E qual é a importância de ser secretário-geral da ONU? Hoje em dia, há diversos temas de enorme importância que por sua natureza precisam de uma instância global de administração, porque afetam necessariamente a todos de uma forma intensamente difusa e inter-relacionada. Como exemplo posso citar três assuntos, importantíssimos. A preservação do meio ambiente (dentro da qual se inclui o aquecimento global) a gestão do armamento nuclear (que tem o potencial de destruir a civilização humana) e a administração da Internet (pela exponencial interconexão que gera entre as populações dos países). O mundo precisa de uma ONU que cumpra seu necessário papel, e por isso um secretário-geral que a faça funcionar com legitimidade popular e poder institucional relativamente efetivo é fundamental neste momento da história.

E qual seria o caminho concreto mais efetivo para que Lula fosse eleito secretário-geral da ONU em 2016?

Obviamente, o próprio Lula teria que aceitar se candidatar. A única possibilidade disso acontecer me parece que é a formação de um movimento mundial em torno de seu nome composto de duas vertentes essenciais: 1) a formação e divulgação de uma lista de mais de 100 chefes de Estado e de governo do mundo apoiando a escolha de Lula como o próximo secretário-geral da ONU. 2) a expressão, organização e articulação popular em todo o mundo, especialmente na Internet e particularmente nas redes sociais, espaços em que os povos da Terra poderão se comunicar e se organizar mais eficazmente para ajudar a colocar no principal cargo da instituição que é o embrião do país Planeta Terra uma pessoa que já provou que é capaz de se tornar o primeiro líder genuinamente mundial da história deste pálido ponto azul da nossa galáxia.

*Nicolas Chernavsky é jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP), editor do Cultura Política e colaborador do Pragmatismo Político

"Hoje, os Srs. assistem calados, tímidos, de cabeça baixa, o Brasil dominado por um simulacro de Democracia, onde um único poder, o PT, suprimiu os demais", escreveu o procurador

Jornal GGN - O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu afastar por três meses o procurador da República Davy Lincoln Rocha, por publicar na internet a “Carta aberta às forças armadas brasileiras”, sugerindo a intervenção militar no Brasil, com a participação dos Estados Unidos.

Ao instaurar procedimento administrativo disciplinar contra o procurador, que atua no MPF em Joinville, Santa Catarina, o CNMP considerou que o membro “utiliza de suas prerrogativas para manchar o regime democrático e a soberania nacional”, além de praticar, ainda em tese, crime contra a ordem democrática e a ausência de decoro pessoal.

Davy Lincoln Rocha publicou o texto em sua página do Facebook há um ano e dois meses. Reproduzido por diversos sites e com grande repercussão nas redes sociais durante a campanha eleitoral deste ano, a publicação expõe a sua indignação, propagando o preconceito contra programas como o Bolsa Família, afirmando que o Legislativo mantém leis que aprovam a compra de votos, comparando o país a Cuba, e criticando o fim da ditadura militar.

"Em 1964, quando o Brasil se encontrava na beira do abismo, prestes a cair nas mãos do Comunismo, da baderna generalizada, os Srs. se apresentaram e nos devolveram um país democratizado, estável, a salvo de ter se tornado uma Republiqueta de Bananas dominado por Narco Ditadores, ou por oligarquias pseudo-socialistas, como ocorreu em boa parte da América Latina. Teríamos nos tornado uma gigantesca Cuba, ou uma Venezuela, ou mesmo uma Bolívia , não fossem os Srs. No Poder, mal assessorados, os Srs. cometeram graves erros, como o de suprimir a voz da opinião pública, ao temor de que essa vocalizasse as intenções dos terroristas vermelhos, os mesmos que os Srs. falharam em manter presos, aliás, libertando-os em troca de diplomatas sequestrados, o que foi um GRANDE erro, pois hoje, vários deles estão no Poder", expõe em um trecho.

O afastamento do procurador deve ser confirmado pelo conselheiro relator, dentro do prazo de 72 horas após o recebimento do processo. O CNMP também encaminhará ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o processo contra Davy Lincoln Rocha, para analisar o caso sob o aspecto penal. 

Leia o texto do procurador, na íntegra:

Carta aberta às forças armadas brasileiras

"PREZADOS SENHORES OFICIAIS SUPERIORES. Eu, Cidadão Brasileiro, criado por Oficial da Marinha de Guerra do Brasil (ex-combatente da II Guerra, condecorado com medalha de Guerra), ESTOU PROFUNDAMENTE DECEPCIONADO com os Senhores.

Em 1964, quando o Brasil se encontrava na beira do abismo, prestes a cair nas mãos do Comunismo, da baderna generalizada, os Srs. se apresentaram e nos devolveram um país democratizado, estável, a salvo de ter se tornado uma Republiqueta de Bananas dominado por Narco Ditadores, ou por oligarquias pseudo-socialistas, como ocorreu em boa parte da América Latina. Teríamos nos tornado uma gigantesca Cuba, ou uma Venezuela, ou mesmo uma Bolívia , não fossem os Srs.

No Poder, mal assessorados, os Srs. cometeram graves erros, como o de suprimir a voz da opinião pública, ao temor de que essa vocalizasse as intenções dos terroristas vermelhos, os mesmos que os Srs. falharam em manter presos, aliás, libertando-os em troca de diplomatas sequestrados, o que foi um GRANDE erro, pois hoje, vários deles estão no Poder.

Hoje, os Srs. assistem calados, tímidos, de cabeça baixa, o Brasil dominado por um simulacro de Democracia, onde um único PODER, o PT, suprimiu os demais. No Executivo, uma genial estratégia de compra de votos com cestas básicas - O BOLSA FAMÍLIA - mantém na miséria absoluta MAIS DE QUARENTA MILHÕES DE BRASILEIROS, encurralados em currais e bolsões no norte e nordeste, onde o Governo jogou sal na terra e não permite que nada cresça, previne o crescimento econômico, deixando QUARENTA MILHÕES entre a opção de passar fome ou de trocar seu voto por um carrinho de compras.

No Legislativo, somos hoje governados por leis sabidamente votadas e aprovadas por VOTOS COMPRADOS, no esquema do MENSALÃO. Todos admitem a existência do esquema de VOTOS DO MENSALÃO, mas ninguém cogitou de ANULAR as leis que foram aprovadas com a compra de votos, fruto de corrupção e não do desejo de legítimos representantes do povo.

No JUDICIÁRIO, depois de alcançar a maioria de MINISTROS por eles indicados, o PT promove a histórica façanha de ANULAR o SOBERANO julgamento do STF, promovendo UM NOVO JULGAMENTO daquilo que já havia sido SOBERANAMENTE DECIDIDO, pondo fim à segurança jurídica e à esperança de que a corrupção na alta cúpula dos três Poderes possa ser freada.

Congressistas condenados por corrupção TRANSITAM LIVREMENTE pelas ruas e pelos corredores do PODER e VOTAM AS LEIS QUE NOS GOVERNAM.

Impondo vergonhoso arrocho salarial aos servidores públicos, civis e militares, o atual sistema político reduz à quase miséria todo o Serviço Público, humilhando-o, quando à espera de sua vez de também receber um BOLSA QUALQUER COISA.

Obras faraônicas para a COPA DO MUNDO sangram bilhões dos cofres públicos, enquanto cada vez mais leitos de hospitais são fechados e o povo brasileiro morre nas portas e corredores dos hospitais. Mas isso talvez não lhes interesse, pois os Srs. AINDA tem (em breve, o PT vai lhes tirar isso) hospitais militares, de boa qualidade. Eu sei disso, pois, afinal, sou filho de militar.

ENFIM, CHEGAMOS AO PONTO DE INSTITUCIONALIZAR-SE A REMESSA DE DIVISAS BRASILEIRAS PARA CUBA, ALIMENTANDO O ODIOSO SISTEMA DITATORIAL, PSEUDO-SOCIALISTA DO NÃO MENOS ODIOSO FIDEL CASTRO. PELO PROGRAMA "MAIS MÉDICOS" (COMO ESSA CORRUPTOCRACIA ADORA DAR BELOS NOMES A SEUS GOLPES) TRAZ MILHARES DE PESSOAS DE BRANCO, ESCRAVOS DA DITADURA CUBANA, PRA TRABALHEM POR SETECENTOS REAIS, ENQUANTO NOVE MIL E TREZENTOS REIAS POR CABEÇAS SÃO LAVADOS E TRAFICADOS PARA CUBA, PRA FINANCIAR SABE-SE LÁ O QUE. POR ISSO, EM BOA HORA, A DEMOCRACIA AMERICANA JÁ SE ACAUTELA EM OBTER INFORMAÇÕES, ENQUANTO OS SENHORES, CABEÇAS BAIXAS, BATEM CONTINÊNCIA A TUDO ISSO.

ESTOU TRISTE, MUITO TRISTE E MUITO DECEPCIONADO COM OS SENHORES. AGRADEÇO A DEUS POR TER LEVADO MEU PAI EM 2001, POUPANDO-O DE ASSISTIR A VERGONHOSA TIMIDEZ DOS SENHORES DIANTE DA CORRUPTOCRACIA QUE DOMINOU AQUILO QUE OUTRORA CHAMÁVAMOS DE BRASIL.

Empresa norte-americano venderá a erva somente onde for legalizada. Produto deve chegar ao mercado até o fim de 2015. 


A empresa norte-americana Privateer Holdings anunciou nesta terça-feira (18) a criação da primeira marca global de maconha, que levará o nome de Marley Natural, em tributo ao músico morto há 33 anos. O produto estará disponível apenas no fim de 2015.

A Marley Natural será comercializada somente nos países ou estados onde o consumo da maconha é legalizado. A lei federal americana proíbe o consumo diário, a venda e a posse de maconha, mas os estados de Colorado (oeste) e Washington (noroeste) autorizaram seu uso.

A estratégia surge em um momento em que cada vez mais estados norte-americanos permitem o uso da canabis. Oregon, Alasca e a capital federal, Washington, aprovaram a legalização em referendo, em 4 de novembro, enquanto o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, autorizou a utilização em janeiro para fins medicinais.

Família de Marley

Em entrevista à emissora NBC, a filha do cantor Bob Marley, Cedela Marley, afirmou que a marca é descrita como "uma das melhores marcas de canabis, enraizada na vida e no legado do cantor jamaicano". "Parece natural que meu pai seja associado a este produto", disse.

Bob Marley, que morreu de câncer em 1981, com 36 anos, considerava a canabis um ingrediente essencial da fé rastafári e militou ativamente pela legalização da erva.

"Bob Marley começou a militar pela legalização da canabis há mais de 50 anos. Nós vamos ajudar a continuar esta açã"', afirmou Brendan Kennedy, diretor executivo da empresa. "A erva é feita para curar uma nação, a erva ajuda a meditação, a erva gera melhores vibrações", prosseguiu Rohan Marley, outra filha do músico.

Meninas choram em cerimônia de mutilação genital no Quênia. Observe as imagens feitas por um fotógrafo que acompanhou o passo-a-passo do ritual

As imagens fortes revelam um pouco do que deve ter sentido cada uma das meninas da tribo Pokot que participou do ritual de mutilação genital de um vilarejo rural em Baringo, no Quênia.

A mutilação genital feminina (FGM, na sigla em inglês) é uma prática que consiste em retirar parte ou todo o órgão sexual de mulheres e crianças. Nos casos mais extremos, a mutilação total é realizada nos lábios vaginais e clitóris (processo chamado infibulação).

A ONU estima que, hoje, 150 milhões (eram 129 milhões no início do ano) de mulheres ao redor do mundo sofrem ou já sofreram com a prática. Embora a ‘tradição’ tenha sido declarada ilegal em muitos países africanos – o Egito é um exemplo – ela ainda sobrevive em comunidades menores e famílias.

Ao mutilar suas filhas, as mães acreditam que garantem um melhor futuro com melhores maridos a elas, já que a prática é vista como uma forma de “limpeza” das meninas. As imagens foram feitas pelo fotógrafo da Reuters Siegfried Modola. 

Imagens:

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Reuters e Terra



O processo de impeachment exige aprovação de 2/3 do Congresso. Já a rejeição das contas impede a diplomação. A decisão fica com o Judiciário. Este é o golpe paraguaio.

Já entrou em operação o golpe sem impeachment, articulado pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Antonio Dias Toffoli em conluio com seu colega Gilmar Mendes. O desfecho será daqui a algumas semanas.

As etapas do golpe são as seguintes:

1. Na quinta-feira passada, dia 13, encerrou o mandato do Ministro Henrique Neves no TSE. Os ministros podem ser reconduzidos uma vez ao cargo. Presidente do TSE, Toffoli encaminhou uma lista tríplice à presidente Dilma Rousseff. Toffoli esperava que Neves fosse reconduzido ao cargo (http://tinyurl.com/pxpzg5y).

2. Dilma estava fora do país e a recondução não foi automática. Descontente com a não nomeação, 14 horas depois do vencimento do mandato de Neves, Toffoli redistribuiu seus processos. Dentre milhares de processos, os dois principais - referentes às contas de campanha de Dilma - foram distribuídos para Gilmar Mendes. Foi o primeiro cheiro de golpe. Entre 7 juízes do TSE, a probabilidade dos dois principais processos de Neves caírem com Gilmar é de 2 para 100. Há todos os sinais de um arranjo montado por Toffoli.

3. O Ministério Público Eleitoral, através do Procurador Eugênio Aragão, pronunciou-se contrário à redistribuição. Aragão invocou o artigo 16, parágrafo 8o do Regimento Interno do TSE, que determina que, em caso de vacância do Ministro efetivo, o encaminhamento dos processos será para o Ministro substituto da mesma classe. O prazo final para a prestação de contas será em 25 de novembro, havendo tempo para a indicação do substituto - que poderá ser o próprio Neves. Logo, “carece a decisão ora impugnada do requisito de urgência”.

4. Gilmar alegou que já se passavam trinta dias do final do mandato de Neves. Na verdade, Toffoli redistribuiu os processos apenas 14 horas depois de vencer o mandato.

5. A reação de Gilmar foi determinar que sua assessoria examine as contas do TSE e informe as diligências já requeridas nas ações de prestação de contas. Tudo isso para dificultar o pedido de redistribuição feito por Aragão.

Com o poder de investigar as contas, Gilmar poderá se aferrar a qualquer detalhe para impugná-las. Impugnando-as, não haverá diplomação de Dilma no dia 18 de dezembro.

O golpe final - já planejado - consistirá em trabalhar um curioso conceito de Caixa 1. Gilmar alegará que algum financiamento oficial de campanha, isto é Caixa 1, tem alguma relação com os recursos denunciados pela Operação Lava Jato. Aproveitará o enorme alarido em torno da Operação para consumar o golpe.

Toffoli foi indicado para o cargo pelo ex-presidente Lula. Até o episódio atual, arriscava-se a passar para a história como um dos mais despreparados Ministros do STF.

Com a operação em curso, arrisca a entrar para a história de maneira mais depreciativa ainda. A história o colocará em uma galeria ao lado de notórios similares, como o Cabo Anselmo e Joaquim Silvério dos Reis.

Ontem, em jantar em homenagem ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, o ex-governador paulista Cláudio Lembo se dizia espantado com um discurso de Toffoli, durante o dia, no qual fizera elogios ao golpe de 64.

Se houver alguma ilegalidade na prestação de contas, que se cumpra a lei. A questão é que a operação armada por Toffoli e Gilmar está eivada de ilicitudes: é golpe.

Se não houver uma reação firme das cabeças legalistas do país, o golpe se consumará nas próximas semanas.





Em entrevista à Folha, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez uma declaração bombástica:

“Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação.”

Se a acusação atingisse o PT, a mídia a teria transformado, imediatamente, em manchetão nas capas de todos os jornais, portais e revistas.

Como é contra o PSDB, então a informação é minimizada, como sem importância.

Janot repetiu a denúncia de golpe político-midiático, que a gente, da blogosfera, se cansou de fazer durante os primeiros vazamentos seletivos dos depoimentos de Alberto Youssef.

Denúncia esta que a imprensa jamais fez, embora estivesse ali, à vista de todos.

Por quê?

Por que a imprensa não identificou o óbvio, que havia vazamentos seletivos, com objetivo de interferir na campanha eleitoral e prejudicar Dilma Rousseff?

Ora, porque a imprensa fez parte do esquema.

Essa é a conclusão lógica inevitável das palavras de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, o cargo máximo do Ministério Público Federal.

No dia do penúltimo debate da eleição presidencial, que ocorreria na Record, um dos principais repórteres políticos da Globo, Gerson Camarotti, chegou a publicar, em seu blog, que Aécio e Alvaro Dias tinham recebido um “detalhamento completo” dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que “envolveria nomes graúdos do PT”.

Ficou evidente (hoje confirmado, visto que Aécio não usou a suposta “bomba” no segundo turno) que se tratava de blefe tucano e jogo sujo da Globo, para intimidar Dilma no debate.

Aécio tinha apanhado que nem gente grande no debate anterior e estava com medo.

A Globo, portanto, foi cúmplice do golpe eleitoral preparado pela oposição, em conluio com o advogado de Alberto Youssef.

Só que agora as coisas mudaram de figura.

A operação Lava Jato tomou proporções que fogem ao controle da mídia e da “República do Paraná”, ou seja, ao grupo de delegados e procuradores que tentaram usar a investigação para influenciar as eleições.

Envolvendo todos os partidos, e detectando desvios desde 1999, a Lava Jato fortalece a líder política número 1 do país, a presidenta da república.

Não adianta a oposição espernear, como fez Noblat hoje, dizendo que a Polícia Federal é “órgão de Estado”, que Dilma não autorizou nada, blablablá.

A Polícia Federal é um órgão subordinado ao Ministério da Justiça, e a presidente da República escolhe o seu diretor-geral.

Esta relação está bem clara no Decreto 73.332, de 1973, que define a estrutura da instituição.

Entretanto, não é preciso ser especialista em leis ou decretos para fazer uma comparação simples: a PF não investigava ninguém na era tucana.

Hoje investiga e prende poderosos, de políticos graúdos a empreiteiros bilionários.

Aliás, alguém deveria perguntar se as polícias estaduais, que também são “órgãos de Estado”, investigam os seus respetivos Executivos.

Em São Paulo, alguém pode imaginar a polícia estadual ou a polícia civil investigando o trensalão ou as obras do Rodoanel? Todas elas envolvem, aliás, as mesmas empreiteiras da Operação Lava Jato.

A oposição e a mídia queriam transformar a Lava Jato num golpe político.

Tinha tudo para dar certo. Os delegados federais responsáveis pela operação são tucanos. Foram inclusive flagrados fazendo festinha pró-Aécio no Facebook, usando informações sigilosas.

O juiz Sergio Moro é tucano, como ficou claro com sua leniência em relação aos vazamentos feitos bem durante a campanha eleitoral, inclusive o último, o que sequer existiu, de Alberto Youssef, tentando atingir Dilma.

Os procuradores também devem ser, visto que defenderam os delegados, quando estes foram denunciados na imprensa por seu partidarismo pouco republicano, para dizer o mínimo.

A “República do Paraná” (entendida aqui como juiz, promotores e delegados por trás das investigações feitas pela Operação Lava Jato), enfim, é um núcleo tucano.

Some-isso a uma mídia ultratucana, e tínhamos todos os elementos para criar uma narrativa e aplicar um golpe político-midiático, que culminaria com o impeachment da presidenta.

Mas eles não pensaram uma coisa.

A Lava Jato de repente assumiu uma dimensão tal que saiu da esfera apenas política. Ou seja, deixou de ser regida pelo jogo baixo e apaixonado das guerras partidárias, e passou para o domínio inexpugnável da história.

Ao tratar com os setores econômica e politicamente mais poderosos da sociedade, a Lava Jato não poderá abrir “exceções” jurídicas como fez no mensalão.

O fato dos investidores e o próprio juiz serem tucanos se volta em favor de Dilma, porque esta seria acusada de “bolivariana”, se fosse o contrário, se a mídia identificasse afinidade ideológica, política ou partidária entre ela e a República do Paraná. Além de ser acusada de “traidora” pelos caciques partidários envolvidos no esquema.

O enfraquecimento dos caciques pesará em favor do Executivo.

A direita não tem mais um Joaquim Barbosa no STF para fazer o serviço sujo.

Em mãos de Teori Zavascki, a Lava Jato não corre o risco de virar um circo golpista.

Outro fator que enfraquece a tentativa de golpe é que o procurador geral, Rodrigo Janot, embora frequentemente também faça o jogo da mídia, é infinitamente mais qualificado, em termos éticos, do que seus antecessores.

A entrevista que deu à Folha, em que denuncia o golpe do advogado de Youssef, é evidência de que ele não se prestará, não facilmente ao menos, a um jogo sujo visto no mensalão, em que procurador, mídia e oposição manipularam provas, ocultaram documentos, e fizeram de tudo para confundir a opinião pública e enganar os réus.

A mídia tentará aumentar ao máximo a presença do PT junto às listas dos corrompidos e corruptores, mas ao fazê-lo, ampliará a imagem de republicana de Dilma Rousseff.

Afinal, que outra estadista, senão Dilma, permitiria que a Polícia Federal, subordinada a seu governo, investigasse e punisse impiedosamente membros de seu próprio partido?

Restará à mídia, desta vez, o papel triste de tentar confundir e manipular a opinião pública, e fazendo o jogo mais baixo.

Quando houver denúncia de envolvimento de um petista: manchetão na capa e páginas e páginas no miolo do jornal.

Quando houver envolvimento de um tucano: sem capa, e notinha curta ao pé de página.

Só que, desta vez, a gente tem as redes sociais.

Alguns internautas temem que haja alguma falsa denúncia sobre caixa 2 na campanha presidencial de Dilma, o que justificaria a sua deposição.

Improvável.

As campanhas presidenciais no Brasil costumam ser impecáveis. O caixa 2 é jogado sempre para as campanhas regionais e proporcionais.

As campanhas presidenciais de PT e PSDB costumam ter dinheiro de sobra. Isso desde 2002.

O mensalão, por exemplo, que foi um problema de caixa 2, admitido pelo próprio Lula e por Delúbio Soares, ocorreu justamente por conta disso: a campanha presidencial chupou todo o dinheiro limpo, e o caixa 2 foi lançado nas costas dos diretórios regionais, que precisavam pagar dívidas de campanha.
Claro, espera-se todo o tipo de mentira, calúnia e manipulação, nos próximos meses. Desta vez, porém, temos uma opinião pública um pouco mais crítica e desconfiada.

E a mídia não tem mais o monopólio da narrativa.

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O fato da análise das contas da campanha de Dilma terem caído em mãos de Gilmar Mendes, não deveria ser motivo de preocupação excessiva.

Um pouco sim, mas não muito.

Justamente por ser identificado como juiz de oposição, Mendes será obrigado a aprovar as contas da presidenta.

Só lhe restará o patético papel de fazer suspense, pedir explicações, inventar factoides variados.

Mas não poderá desaprovar as contas de Dilma, porque soaria golpista demais isso partir de um juiz tão abertamente de oposição.

De qualquer forma, o próprio Ministério Público Eleitoral entrou com recurso para que a relatoria das contas da campanha de Dilma não fique em mãos de Gilmar.

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O maior desafio de Dilma, e isso não é pouca coisa, é evitar que a Lava Jato, por envolver as maiores empreiteiras do país, provoque interrupção das grandes obras de infra-estrutura.

A nossa mídia, já vimos, não tem qualquer compromisso com o desenvolvimento. Sergio Moro ganhou pontos ao mostrar que, ao menos nisso, demonstra bom senso, visto que se preocupou em não paralisar o trabalho das empresas.

As empreiteiras empregam centenas de milhares de trabalhadores, e as denúncias terão que apurar responsabilidades e impor multas, mas cuidando para não prejudicar o emprego de quem não tem culpa nenhuma pelos desvios. Nem parar obras que são estratégicas e urgentes, como a finalização da refinaria Abreu Lima, cuja entrada em operação servirá como alavanca para a indústria petroquímica, e ajudará a reduzir o déficit da balança comercial brasileira.