A Aceji realizou o XV Congresso de Jornalistas do Interior em parceria com o prefeito Jaime Junior na Cidade de Icó.

Na sexta feira (25), ocorreu a abertura oficial por volta das 20h, no Teatro da Ribeira dos Icós; obra neoclássica do arquiteto Henrique Théberge e edificada por seu filho Pedro Théberge  na data de 1860, sendo o mais antigo do Ceará.



No Teatro, houve o Hino Nacional, do Estado e do Município orquestrado pela Banda de Músico Maestro Gonçalo Farias dos Santos. Logo a seguir o Presidente da Aceji João Ferreira cumprimentou a todos dando início ao grandioso evento. Depois houve apresentações culturais da AABB Comunidade, Casa de Cultura de Cedro, Apresentação da Monografia do jornalista e conselheiro da Aceji Gilson Moreira intitulada “Contribuição francesa na formação cultural do Icó-CE”, além de apresentação musical do jornalista e radialista Tony Morais.

Em seguida as boas vindas do prefeito Jaime Junior, e Homenagem ao patrono do XV Congresso Estadual de Jornalistas do Interior, Jornalista João Brígido (in memorian) – Historiador Altino Afonso de Medeiros. Depois houve a palavra das autoridades na mesa principal e entrega de Comendas da Aceji a 10 personalidades.

Em seguida, por volta das 22h, o Arraiá Icoense com o Arrasta-pé da Comunicação, que ocorreu na Casa de Câmara e Cadeia e que também foi comemorado o aniversário de 52 da Aceji com direito a bolo, confraternização e muita festa.

No sábado (26), após o credenciamento e a composição da mesa, o presidente da Associação Cearense de Jornalistas do Interior – ACEJI, João Ferreira saudou a todos os presentes no XV Congresso Cearense de Jornalistas falando da expectativa para o Congresso realizado em Icó, dando destaque a importância da qualificação profissional que os presentes teriam durante o evento, que aconteceu na EEP. Dep. José Walfrido Monteiro.

A primeira palestra do dia, foi ministrada pelo professor da Universidade Federal do Ceará Idevaldo Barbosa, que por sua vez, falou sobre a Ética profissional do Jornalista citando o caso da Escola Base em São Paulo que no ano de 1994, em que duas mães denunciaram donos de uma escola infantil por abuso sexual. A TV Rede Globo noticiou o fato como um furo de reportagem, após a denúncia a escola foi invadida e depredada. Sem provas, o assunto foi arquivado.

Em seguida, o Secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará, Josbertini Clementino falou sobre as políticas de juventude na agenda pública brasileira pontuando os desafios e perspectivas.

Depois tivemos a palestra do jornalista Chagas Vieira, coordenador de Comunicação Social do Governo do Estado, com o tema Assessoria de Comunicação e por que as organizações devem se comunicar? “Interdependentes, as organizações têm de se comunicar entre si. O sistema organizacional se viabiliza graças ao sistema de comunicação nele existente, que permitirá sua contínua realimentação e sua sobrevivência. Caso contrário, entrará num processo de entropia e morte. Daí a imprescindibilidade da comunicação para uma organização social.” (Margaria Kunsch).

Em seguida tivemos a palestra do promotor de justiça da Comarca de Cedro e natural de Icó, Leydomar pereira que falou sobre o Juridiquês e Jornalismo, e os principais erros cometidos pelos comunicadores na cobertura jurídica e policial. Juridiquês (A linguagem é o meio através do qual o homem se comunica, sendo um meio importante para a vida em sociedade. Porém nem sempre essa comunicação é clara o suficiente para atender a todas as situações do nosso cotidiano, principalmente falando do Judiciário. A linguagem utilizada é rebuscada, recheada de termos técnicos e jargões, praticamente uma língua própria, o Juridiquês. A proposta é tornar esta linguagem, principalmente jurídica acessível a toda população, cumprindo assim com um dos princípios constitucionais brasileiro, a igualdade).

Também tivemos como palestrante o jornalista César Venâncio que falou sobre a regulamentação da profissão de jornalista, PEC e DRT.

Terminando os trabalhos do dia, a noite foi livre para os jornalistas do interior e formando-se vários grupos de comunicadores que se confraternizaram em vários locais e pontos da cidade.


No domingo (28), pela manhã, houve os pronunciamentos finais e também aconteceu a eleição da nova diretoria da Aceji que foi eleita por aclamação para um mandato até 2018 e o presidente João Ferreira reeleito e com alguns novos nomes compondo a diretoria. Junior Pentecoste é um destes nomes novos e fica honrado pelo convite e confiança depositada.

Finalizando as atividades, o prefeito João Jaime parabenizando e saudando a todos os comunicadores presentes no evento.

Aceji e Icó, muito obrigado por nos proporcionar esse final de semana, na Cidade de ICO-CE, com amigos comunicadores no XV Congresso Estadual de Jornalistas do Interior, onde tivemos a oportunidade de rever companheiros de comunicação e acima de tudo nos alimentando com um aprendizado de suma importância que foi ministrado nas palestras.


A Vereadora Valdelice Braga, presidente do Legislativo Municipal de Pentecoste no uso de suas atribuições legais, tem a honra de convidar Vossa Senhoria e Família para participar da Sessão Solene de entrega de Títulos de Cidadania para pessoas que de alguma forma contribuíram com relevantes serviços prestados ao município de Pentecoste, à realizar-se nesta sexta feira dia 26 de junho do corrente ano, às 17h.

O que é e o que significa Um Titulo de Cidadão Pentecostense

No Legislativo Municipal é função do vereador, além de propor leis e fiscalizar as ações do Executivo, também reconhecer aqueles que contribuíram de maneira efetiva para o crescimento e engrandecimento de nosso município. Com base nessas prerrogativas, surgem as homenagens da Câmara Municipal de Pentecoste, por meio da concessão de Honrarias. Todas elas são e devem ser aprovadas pelo Plenário da Câmara e entregues por meio de Sessão Solene.

Essa ação visa homenagear pessoas nascidas em outras cidades, mas que se instalaram em Pentecoste e que de alguma forma ajudaram no desenvolvimento social do município, prestando relevantes trabalhos à comunidade. Cada parlamentar tem direito a entrar com projeto de concessão de Título.

O Título de Cidadão equipara a pessoa homenageada a uma adoção oficial. A pessoa agraciada passa a ser um irmão, um conterrâneo, uma pessoa da terra natal e para que, lhe conceda tal homenagem, faz-se necessário relatar que o homenageado fez, sem visar lucros, interesses pessoais, políticos ou profissionais, em defesa do povo do Município que lhe concedeu tal cidadania.

Vírus está sequestrando os navegadores de usuários e se espalhou pela rede social

Um vírus vem causando problemas a usuários do Facebook nesta segunda-feira (08). Chamado de Amazonaws, ele é um “sequestrador de navegadores”, que se espalha através de mensagens que pedem ajuda para denunciar publicações com apelo pornográfico.

Quem recebeu notificações dizendo que um amigo "disse que estava com você e outras 19 pessoas" não deve clicar no link. A publicação parece trazer um vídeo de conotação pornográfica, que ao ser acessada faz com que o usuário compartilhe o vírus com outros amigos.

Imagem apenas ilustrativa
O vírus S3.amazonaws.com/addns/ pode ser transferido através de anexos de e-mails, sites comprometidos ou pelos posts danificados, e se aloca no computador como uma barra de ferramenta de busca.

Saiba como removê-lo

Um manual explica como o usuário deve proceder caso tenha clicado em alguma dessas postagens em uma das sessões do Facebook. 

Veja se o vírus afetou o seu navegador:

Se você utiliza o Google Chrome: clique no canto superior direito, no botão menu, e depois escolha a opção “Configurações”. Clique na opção “extensões” e verifique se há alguma extensão suspeita. Para remover extensões, clique na imagem de uma lixeira do lado direito da extensão.

Se você utiliza o Internet Explorer: Selecione a opção ferramentas no alto do canto direito do navegador e clique em “Gerenciar Complementos”. Em seguida, na aba “barras de ferramentas e extensões” selecione extensões suspeitas e clique no botão desabilitar, no canto inferior direito.

Se você utiliza o Firefox: Clique no menu principal, no alto do lado direito da página, e escolha a opção complementos. Em seguida, clique em opções e remova qualquer extensão que não lembre de ter instalado apertando o botão desativar.

O próximo passo é verificar se todos os itens da lista são de sua confiança. Caso algum deles não seja, ele deve ser excluído. Se a aba de extensões não se abrir, o vírus pode já ter tomado conta do navegador. O programa deve, então, ser reinstalado. Além dessas medidas, é recomendado também que o usuário troque a senha de acesso ao Facebook.

Procurada pela reportagem do Portal EBC, o Facebook apontou que o malware é uma extensão utilizada em navegadores que se espalham por diversas redes sociais. A assessoria da rede social apontou, ainda, que tenta tomar medidas para evitar que o vírus se espalhe: "Nós usamos diversos sistemas automatizados para identificar potenciais links nocivos e impedir que eles se espalhem. Estamos bloqueando os links com esse golpe, oferecendo opções para limpá-los e buscando outras formas para mensurar e garantir que as pessoas continuem em um ambiente seguro no Facebook".

Além disso, o Facebook também apontou que há algumas ferramentas para auxiliar a identificação e remoção de malwares da sua conta na rede social. Elas estão disponíveis nesse link aqui.

Compartilhe esse alerta com os amigos :

Fonte: R7 & Mundo Conectado
O Prefeito de Granja - CE, Romeu Aldigueri (Pros), deu entrada no inicio da noite desta segunda-feira (08) na Superintendência da Polícia Civil de Fortaleza para fazer um Boletim de Ocorrência (BO) contra as ameaças de morte realizadas por Cesar Casemiro, sobrinho e assessor político do vereador Milton Casemiro.

Romeu Aldigueri entrou na Superintendência muito apreensível acompanhado pelos deputados estaduais Sergio Aguiar (Pros), Robério Monteiro (Pros) e pelo ex-deputado federal Vicente Arruda.

Segundo o B.O, Cesar Casemiro faz duras ameaças ao prefeito de Granja em sua conta no facebook, como por exemplo: “Eu vou disparar cinco balas na tua boca”, “você estar querendo antecipar sua passagem para o inferno”, “você tem coragem de deixar a sua mulher viúva”, “pense pelo menos nos seus filhos, é tão ruim crescer sem a companhia do pai”.

O Clima político no município de Granja é tenso, desde a última denúncia de estelionato contra o vereador Raimundo Felix Pereira, um dos políticos que compõem a base da oposição.

Segundo Romeu, há mais de seis meses vem sofrendo uma campanha injuriosa, difamatória e caluniosa por parte de opositores nas redes sociais e por isso vem procurando a justiça entrando com representações criminais e ações civis da busca do esclarecimento da verdade e reparações de danos.


Comunicadores de uma forma geral que desejam participar do XV Congresso Cearense de Jornalistas do Interior, que vai acontecer no município de Icó, já podem fazer suas inscrições ou obterem maiores informações através dos telefones (85) 3231.5531/8540.9588/8768.1611 ou do e-mail: aceji.ceara@gmail.com. Os interessados que optarem em fazer sua inscrição na sede, localizada na Av. Dom Manuel, 423, o horário de funcionamento será nas sextas-feiras (no período da tarde) e aos sábados (até 12h). O evento acontece entre os dias 26 a 28 de junho 2015.

Acejianos em dia com a Tesouraria serão isentos de taxa de inscrição. Aqueles inadimplentes terão de regularizar suas situações para terem as inscrições deferidas. Aos convidados (não-sócio) pagará taxa no valor de R$ 50,00. Aos inscritos oficiais serão disponibilizados transporte, Fortaleza/Icó/Fortaleza, hospedagem e alimentação. Reserve logo sua inscrição e um bom Congresso a todos.

O Congresso é uma promoção da Associação Cearense de Jornalistas do Interior com o apoio da Prefeitura de Icó e irá discutir em seu tema central “O Papel do Assessor de Imprensa no Ceará”. Estudantes de comunicação, jornalistas, radialistas e blogueiros façam já sua inscrição!

O evento terá como patrono oficial o jornalista João Brigido (in memorian).

O Teatro da Ribeira dos Icós, nosso principal patrimônio histórico e que foi construído por volta de 1860, é o local da Abertura Oficial, no dia 26, às 20h, com a presença de várias autoridades estaduais.

Já na Casa de Câmara e Cadeia, palco de grandes acontecimentos políticos e jurídicos do Icó antigo, e sede da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, será realizado o Arrasta-pé da Comunicação, com entrega de comendas, comemoração do aniversário da Aceji e muita animação.

No sábado dia 27, na EEP. Dep. José Walfrido Monteiro, no Conjunto Gama, serão realizadas as plenárias internas, palestras e eleição da nova diretoria da Aceji, com as refeições (café da manhã, almoço e jantar). Aguardem programação completa.

Salientamos que as Igrejas do Senhor do Bonfim e da Matriz Nossa Senhora da Expectação estarão abertas para visitação e sessão de fotos, no dia 26 (sexta-feira), das 19 às 22h, nestes que são considerados dois dos mais belos templos religiosos do Brasil.

Pelo período da manhã de domingo (28) na EEP. Dep. José Walfrido Monteiro, acontecerá eleições da nova diretoria da Aceji e as considerações finais, previsão de retorno após o almoço.

Realização: Prefeitura de Icó e Aceji - Associação Cearense de Jornalistas do Interior.

Junior Pentecoste integrante da Comissão Organizadora, sugeriu ao Assessor de Comunicação Voltaire Xavier, que o nome do Jornalista João Brigido seja colocado em homenagem na Sala de Imprensa da Prefeitura de Icó ou em uma Biblioteca, mesmo que através de projeto aprovado na Câmara Municipal de Icó, para ser inaugurada na ocasião do XV Congresso Cearense de Jornalistas do Interior, o que foi muito bem aceito por parte do representante de Icó.

ACEJI e PMI transformando o Icó, em Junho, na Capital da Imprensa do Ceará.


Ilustração Google
Do site do psol: Cerca de duzentos juristas assinaram manifesto contra a manobra do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que aprovou o financiamento empresarial a partidos políticos, depois de emenda com o mesmo assunto ter sido rejeitada no dia anterior. O documento será entregue nesta quarta-feira (10), em audiência pública, à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber, relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade, impetrada por 63 parlamentares que pedem a anulação desta votação.

Entre os cerca de duzentos juristas que assinam ao manifesto, vale destacar Celso Antônio Bandeira de Mello, Cezar Britto, Dalmo de Abreu Dallari, Fábio Konder Comparato, Marcello Lavenère Machado, Juarez Tavares, Luiz Flávio Gomes, Marcus Vinicius Furtado Coelho e Nilo Batista.

Leia abaixo o conteúdo do manifesto.

Manifesto em defesa da Constituição e do Parlamento

Pelo imediato arquivamento da PEC do financiamento empresarial das campanhas eleitorais

No dia 26 de maio, o povo brasileiro comemorou a rejeição, na Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda Constitucional que instituía o financiamento empresarial a partidos e candidatos. Lamentavelmente, no dia seguinte, o presidente da Câmara submeteu novamente à apreciação dos deputados a possibilidade de doações a partidos para fins eleitorais. Após a mudança de orientação de alguns deputados, a proposta foi aprovada. O noticiário a respeito das pressões sofridas por estes parlamentares estarreceu quem quer que idealize uma política mais ética e ficará na história nacional como uma nota triste de agressão à liberdade do Poder Legislativo.

A influência do poder econômico sobre a política é absolutamente incompatível com a Constituição Federal, em cujo cerne residem princípios como a República, a democracia e a igualdade. Se a PEC vier a ser aprovada, a desigualdade e a corrupção invadirão a esfera constitucional, e o preceito vigorará como um corpo estranho na Constituição Republicana e Democrática do Brasil.

A defesa da institucionalidade democrática demanda o pleno respeito ao ordenamento jurídico, ganhando relevo à observância do “devido processo legislativo” fixado no próprio texto constitucional. A votação ocorrida no dia 27 violou as regras instituídas no inciso I e no § 5º do artigo 60 da Constituição Federal, que norteiam o processamento das Propostas de Emenda Constitucional. A Carta da República não autoriza que a matéria seja rediscutida senão no ano seguinte, e uma nova PEC, tanto quanto a anterior, deveria ser assinada por, no mínimo, 1/3 dos Deputados. São normas que impedem que a alteração do texto constitucional se converta em uma trivialidade cotidiana da vida parlamentar. Se a Constituição é norma superior, sua alteração deve ocorrer apenas por meio de um procedimento responsável e democrático, sob pena de se corroer sua força normativa.

Em defesa da Constituição Federal, 63 parlamentares de diversos partidos impetraram Mandado de Segurança perante o Supremo Tribunal Federal, em que se requer a interrupção imediata dessas violações, que antecipam um futuro sombrio para a atividade parlamentar no Brasil. Os subscritores do presente manifesto, profissionais do direito imbuídos de convicções democráticas, expressam seu apoio a essa iniciativa de defesa da integridade do Parlamento e da higidez constitucional dos procedimentos congressuais. O Supremo Tribunal Federal saberá impedir que prevaleça o arbítrio praticado, preservando a dignidade do processo legislativo e os princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito. Via: DCM

Presidente da Funceme diz que dados meteorológicos atuais apontam mais dias difíceis para 2016 no Ceará, principalmente em relação às reservas hídricas

Eduardo Sávio Martins explica o monitoramento do Pacífico, feito
até o mês passado, mantém hoje "80% de chance do El Niño persistir
até fevereiro de 2016", o que pode indicar mais seca ano que vem
Com apenas dois meteorologistas e um físico à disposição para traduzir relatórios diários de monitoramento do planeta, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) prevê mais longos dias de seca para 2016.

O cenário pode até virar, admite o presidente do órgão, Eduardo Sávio Martins, mas é o que apontam neste momento as águas do Pacífico, aquecidas pelo fenômeno El Niño. A se confirmar, será o quinto ano consecutivo de estio, metade desta década.

Ele descreve que até a intensidade do fluxo solar, uma informação ainda sendo descoberta pela Funceme, que aponta níveis de radiação do sol, tem indicando que o ano que vem será preocupante. Principalmente para as reservas hídricas cearenses. “Vamos ter que ter a preocupação sobre o uso mais eficiente da água”, alerta Eduardo Sávio.

O POVO – A Funceme já disparou um alerta que 2016 pode ter a continuidade do quadro de seca, por causa da manifestação do El Niño. Há como dizer que, cientificamente, isso já está dentro da previsão das mudanças climáticas para o semiárido cearense?
Eduardo Sávio Martins – Nós sempre conseguimos dar previsão com alguns meses de antecedência. De três a quatro, a previsão sazonal que a gente faz. A gente tem uma boa previsibilidade aqui para o Norte-Nordeste. Por que, além disso, estamos colocando a preocupação? Primeiro, por causa do armazenamento que temos hoje nos reservatórios do Estado. Hoje estamos com menos de 20%. Mas tem reservatórios, como o Banabuiú, que é estratégico, está com 1,23%. Reservatórios que são responsáveis pelo abastecimento de algumas sedes urbanas estão com 3%, 5%. Já estamos vivenciando dificuldade grande para garantir água para algumas sedes, como Irauçuba. O pessoal da Sohidra (Superintendência de Obras Hidráulicas) está fazendo trabalho intenso de perfuração de poços, mas infelizmente os poços não estão dando vazão significativa para a demanda. Então realmente é preocupante, pelo estado que estamos hoje. A gente já fazia no passado, mas com esse armazenamento, a gente resolveu, desde 2012, começar a emitir alertas por volta de maio, diante a situação do Pacífico. A gente resolveu informar não só para dentro do Governo, mas para a sociedade em geral porque entendemos que o setor privado também precisa se mobilizar. Até para repensar estratégias de atuação diferentes, tentar maximizar eficiência no uso da água, tentar mudar em estrutura para usar mais efetivamente a água disponível. Certamente teremos que passar por uma mudança cultural. Estamos no quarto ano de seca, o El Niño hoje é forte em maio. Pode mudar? Pode ter essa mudança, mas o que os modelos do Pacífico estão dizendo é que temos 80% de chance do El Niño persistir até dezembro e janeiro e fevereiro de 2016.

OP – O que daria um quadro de seca em 2016?
Eduardo – Foi El Niño, é seca? Não, mas afeta negativamente a nossa quadra chuvosa.

OP – Você tem que ver a intensidade dele?
Eduardo – A intensidade, quando a gente olha os modelos do Pacífico, a maioria coloca um El Niño intenso. Mas existe uma incerteza muito grande, a gente precisa acompanhar. É muito distante maio de janeiro e fevereiro do próximo ano. Pode haver mudança, mas os modelos não estão colocando essa mudança, estão apresentando a persistência do El Niño até janeiro-fevereiro. E isso afeta negativamente a nossa quadra chuvosa.

OP – Mas os próprios meteorologistas trabalham hoje em dia com essa instabilidade de informações muito maior.
Eduardo – Estamos falando de duas coisas. Uma é a previsão do clima e a outra é a previsão das forçantes do clima. No caso, o Pacífico, que é uma delas. O Atlântico é o outro, é mais difícil prever porque é uma bacia menor. É mais nervoso, digamos assim, ele muda mais rapidamente. O Pacífico, como é uma bacia maior, mais ou menos cinco vezes maior do que o Atlântico, pra mudar a temperatura de uma panela quente grande, leva mais tempo. Temos uma inércia maior nessa mudança. Ele sair pra uma situação favorável leva mais tempo. A gente está comparando muito a situação de hoje sempre olhando pro passado, ver o que aconteceu alguns anos atrás. Essa situação de maio deste ano lembra maio de 1997. Se você olhar 1997 como evoluiu, temos um El Niño forte no final e início do ano seguinte. Quer dizer que isso vai acontecer? Não sei, mas a preocupação que estamos colocando para o Governo do Estado é que realmente precisamos ter o cenário como factível. 

OP – Fortaleza vai ter que racionar água se essa previsão se confirmar em 2016?
Eduardo – Nós vamos ter que ter a preocupação sobre o uso mais eficiente da água. Vamos ter que economizar água, aquelas cenas que a gente não gosta de ver, de gente lavando calçada. Temos que começar a combater esse tipo de comportamento, por isso o governo vai lançar uma campanha, o governador já anunciou isso. De maior preocupação com o uso da água já agora.  

OP – Há outros anos que tiveram semelhança com o momento atual?
Eduardo – 1982, 1983 foi um ano seco. 

OP – E já havia essa previsão de que o ano seguinte poderia ser seco?
Eduardo – Não, nessa época não tinha. Nós tínhamos antes esses modelos disponíveis, mas em 2008, 2009 estávamos com o cenário de reserva lá em cima. Foram dois anos chuvosos. 2010 foi um ano seco, mas iniciamos um ano seco com reservas lá em cima. Foram cheias em 2009. Foram feitas operações, e isso digo que não foi divulgado, de monitoramento de clima e hidrologia e previsão pra tentar terminar a quadra chuvosa com o Castanhão no nível mais cheio possível. Por que isso? Porque tinha a preocupação de 2010 que seria um ano de seca. A gente queria garantir que estaria com o estoque de água o mais alto possível. Isso não foi externado à época pra ninguém, mas foi uma operação de risco.

OP – O que exatamente foi feito?
Eduardo – Aqui era direto. Sábado, domingo... À época o presidente da Cogerh (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos) era o secretário atual (de Recursos Hídricos), Francisco Teixeira. Ele ligava, a gente rodava modelos aqui na Funceme para fazer previsão de aporte aos reservatórios. Usava previsão de tempo, aquela curta de dois, três dias, para ver o que ia acontecer em termos de chuva e de vazão aos reservatórios. Calculava o aporte, abria ou fechava a comporta. Essa história nunca foi contada. 

OP – Naquela época não se estimava que a seca se prolongaria por quatro, cinco anos, porque não havia como?
Eduardo – Não tinha como. Hoje também não tem previsibilidade de cinco anos, mas a gente tem indicativos que colocam preocupação sobre esse período. Por exemplo, intensidade do fluxo solar. Quando o fluxo solar está alto, a tendência é que a precipitação média de um período de cinco anos seja baixa. Estamos num momento que o fluxo solar está subindo. E os últimos anos foram secos. E ele ainda não parou de subir.


OP – Isso tem a ver com aquecimento global ou não tem?
Eduardo – Não tem. A energia do sol que chega à Terra tem flutuações. A flutuação é mínima, mas afeta o clima do planeta. 

OP – Essa oscilação na intensidade do fluxo solar é derivada dele mesmo ou decorre de algo?
Eduardo – É dele mesmo e tem particular relação com o clima aqui da nossa região. Mas isso é um fator novo. A gente ainda está investigando, fazendo alguns experimentos na Funceme, se isso pode até melhorar nossa previsão. Para o período fevereiro-março-abril, ela é muito boa, e quando você acerta esse trimestre, você tem 65% das chuvas do ano em média. E de fevereiro a maio, a previsão também é muito boa, aí você vai pra 75% da chuva do ano. Então estamos concentrando todos os esforços nesse período. Os outros períodos são importantes, têm boa performance também, mas o período melhor da previsão climática é fevereiro a maio.

OP – A gente está sentindo mais calor em Fortaleza por causa desse fenômeno solar?
Eduardo – Não, não. O calor tem a ver com a radiação incidente, com a energia do sol que chega à Terra. E isso varia ao longo do ano. Na verdade, essa não é a temporada de calor. Estamos sentindo mais calor porque na verdade não está chovendo, está muito seco. 

OP – Os setores econômicos produtivos consulta muito mais a Funceme do que antes?
Eduardo – A gente participa de reuniões com o pessoal do agronegócio, às segundas-feiras. Coloquei pra alguns deles a preocupação com o próximo ano. Por que a gente faz esse esforço de atingir o setor do agronegócio? Porque são consumidores de água. Eles têm que se precaver com algumas medidas a serem tomadas no uso da água. Por exemplo, temos seis dos sete perímetros colapsados, não têm água. Tem pra atender só aquela agricultura de salvação mesmo, para não deixar morrer as culturas permanentes. Preocupa se tivermos o último perímetro, Jaguaribe-Apodi, colapsado. É por isso que a gente tenta que a informação chegue para que eles antevejam suas ações. 

OP – O consumo da água, grosso modo, é dividido para agronegócio, indústria e consumo humano. A Funceme chega a orientar essa distribuição?
Eduardo – Não, isso já é setor de Recursos Hídricos, que a gente faz parte, mas aí é Cogerh e Secretaria. A informação que nós damos é do clima. Nós temos colaborado com o monitoramento hidrológico, com o desenvolvimento de ferramentas para suporte à decisão do setor de recursos hídricos, modelagem hidrológica, análise de operação de reservatórios. Estamos desenvolvendo uma ferramenta aqui sobre isso e devemos programar um treinamento para a Cogerh no segundo semestre, exatamente para que ele se aproprie dessa ferramenta na identificação de regras de operação dos reservatórios, para que atenda aos usos e observando as restrições do sistema. A gente vem apoiando científica e tecnologicamente na produção de ferramentas, dando treinamento onde é nossa expertise, mas o processo decisório é da Cogerh.

OP – O que 2015 ainda tem de previsão de chuva?
Eduardo – Agora estamos no fim da quadra chuvosa. Fevereiro – março – abril foi indicado como cenário mais provável ter chuvas abaixo da média. Foi isso que foi observado. Vamos começar lá de antes. A Funceme começou a dar previsão da pré-estação uns três anos atrás. Novembro-dezembro-janeiro, abaixo da média. Dezembro-janeiro-fevereiro, também abaixo da média. Cenário mais provável foi de que vai faltar. Janeiro-fevereiro-março, abaixo da média, cenário mais provável a apontar. E agora, fevereiro-março-abril, também cenário mais provável abaixo da média. Maio-junho-julho foi colocada a categoria da média como mais provável, mas, se você olhar as probabilidades, não tem tanta diferença da abaixo da média e da média. Elas são muito próximas, comparadas com as outras previsões que fizemos. Pode ser normal ou abaixo, colocaria isso para o período maio-junho-julho. Se você olhar, maio chove 89 milímetros. Já vai curva de baixo. Em média chove isso. Vai pra 140mm maio-junho-julho. Agora, para reverter esse quadro de estoque de água, só se fosse muito, muito, muito acima. E que fossem chuvas concentradas. Para o setor de recursos hídricos, é melhor que esses 140mm ocorram em um, dois dias, no máximo. Por que vai gerar escoamento e ir pro reservatório

OP – É improvável?
Eduardo – Não é improvável porque em período seco essas coisas acontecem. Você viu temporais recentes que tivemos em Fortaleza, em alguns locais chovendo 140, 150mm. Teve local que choveu mais de 200mm. Essas coisas acontecem.

OP – O cidadão está muito mais interessado pelo tema das previsões meteorológicas?
Eduardo – É, o pessoal gosta de clima. Mas o cearense tem o humor como profissão. A gente pena muito nisso. Porque, na verdade, tem problemas de percepção. Tá chovendo em Fortaleza, o cara assume que tá chovendo no Ceará todo. Por exemplo, a chuva que deu hoje, 35 mm lá em Messejana, o usuário da informação duvida: como pode ser abaixo da média? Mas ele não está vendo os quatro anos que o Sertão Central passou. Tauá, cinco anos de chuva abaixo. Então, não tá vendo o Interior.

OP – E esse humor que você fala?
Eduardo – É na gozação mesmo. A gente tem uma página no Facebook, o pessoal curte. Mas tem o usuário mais informado que vai em defesa. Então é bom a gente ver isso, gera uma dinâmica na discussão da informação. É o papel de educação mesmo. Tem programas de televisão, que não são jornalísticos, eles gostam realmente de ficar no escárnio. 

OP – Você falou uma coisa interessante, agora há pouco. A gente está no quarto ano de seca, pode entrar no quinto. Mas existem localidades no Ceará que estão há mais tempo?
Eduardo – Há mais tempo. Acho que a Bacia do Curu como um todo, lá tá há mais de cinco anos já. Como certeza mais de quatro anos está. 

OP – Por que a precipitação ali é menor?
Eduardo – Ah, isso a gente ainda não consegue identificar. Porque a natureza da nossa chuva, em geral, ela é convectiva. O sol aquece uma determinada faixa do terreno o tempo todo. Isso provoca uma térmica, uma elevação de ar por conta da temperatura da superfície. Se vem um jato de vento trazendo umidade do litoral, essa umidade é elevada. Quando o ar quente e úmido vai para altitudes maiores, ele se expande, se esfria e forma nuvens e pode precipitar. Essa é a natureza, em geral, da nossa precipitação. É mais difícil prever aqui essa chuva de curto prazo, um, dois, três dias, do que prever com três meses. Aqui é melhor prever clima do que tempo. Prever tempo é mais complicado aqui, exatamente por essa natureza convectiva.

OP – A Funceme mudou de paradigma, saiu da ideia de bombardear nuvens para fazer chover e passou a ser mais científica, trabalhar na previsão. Esse marco acontece exatamente quando?
Eduardo – A Funceme foi criada em 18 de setembro de 1972 até com isso no nome. Era Fundação Cearense de Meteorologia e Nucleação Artificial. A grande mudança, e aí a Funceme cresceu muito, foi na época do doutor Viana, Francisco Lopes Viana. A Funceme começou a ter várias áreas, ampliando muito por conta de instituições que foram extintas e os profissionais foram absorvidos aqui. Como a antiga Sudec, o pessoal de solo, de geografia, isso foi ampliando as áreas de atuação, mas ainda sem um planejamento muito bem definido. A área de meteorologia cresceu por conta de programas do governo federal, de atração de bolsas. Isso muito por conta da ideia de criar “Funceminhas” no Nordeste e depois no Brasil. Esse programa de bolsas, a Funceme se beneficiou muito, conseguiu atrair profissionais do Brasil todo. Teve uma relação muito forte com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a parte de satélites, de meteorologia, cresceu muito. Foi criada a área de recursos hídricos, com atuação nas áreas de água superficial, subterrânea. A Funceme andou investigando métodos geofísicos para identificação de locais de perfuração de poços, tanto em terrenos sedimentares como cristalinos. E na parte de hidrologia superficial, estudos de hidrologia, modelagem hidrológica, estimativa de vazões, tentando identificar aporte aos reservatórios e por aí vai. O papel da Funceme, onde ela deveria atuar, ainda não estava muito bem definido. Cresceu muito, a gente ganhou experiências nas diferentes mudanças que tivemos ao longo das mudanças de governo. Muda o governo, a primeira pergunta que se faz é pra onde vai a Funceme. A gente passou da Secretaria de Agricultura, inicialmente. Em 1987 foi criada a Secretaria de Recursos Hídricos, migramos para lá. Aí teve um foco em geografia física. Antes disso foi feito um concurso. Conseguimos absorver boa parte dos bolsistas que estavam na Funceme e outras aprovadas. Entrei como bolsista. Vim do IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas), no Rio Grande do Sul. Cearense, fui fazer o mestrado, quando terminei foi a época do concurso. Fiz e passei. Depois a gente migrou da Recursos Hídricos para a Secretaria de Ciência e Tecnologia. Ficamos lá até o governo Cid. E esse mudou para a SRH. Teve uma mudança em 2001 com o Assis (ex-presidente Francisco de Assis Souza), tentar organizar todas essas áreas com foco na aplicação, no uso da informação. E isso a gente continuou tentando ampliar para outros setores. Por exemplo, de energias. A gente participou da elaboração de atlas de potencial solar, eólico. Estamos desenvolvendo ferramentas pra Cogerh, participando de desenvolvimento de portais, aplicativos. O Funceme Tempo, o portal Hidro, fizemos o aplicativo para o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), pra ANA (Agência Nacional das Águas). A gente consegue, através dessas pequenas ações, parcerias que resultam em projetos maiores e conseguem dar sustentabilidade a ações, que são de caráter temporário, mas não de curto prazo. Por exemplo, deveremos ter um grande projeto com a ANA que deverá ter um horizonte de cinco anos. Esse projeto tem foco de uso da informação de clima para o setor de recursos hídricos, vai analisar a questão das regras de operação do rio São Francisco para as bacias receptoras (Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba) e também a questão de secas. Ter planos de seca para alguns hidrossistemas, para sistemas de abastecimento como Cagece.

OP – Mais uma mudança de pasta como essa, isso é ruim, é bom? Muda o perfil de atuação, da utilização dessas informações?
Eduardo – Eu vejo a mudança como positiva. E eu acredito que boa parte dos técnicos aqui da casa pensa assim. Essa é minha percepção. Porque o melhor período que tivemos aqui foi quando estivemos na SRH. Tivemos grandes projetos. Isso nos engajava com metas. Eram grandes projetos de importância para o Estado. A Funceme estava inserida nesse contexto. Quando a gente foi pra Secitece, tentou ao máximo continuar engajados com o setor de Recursos Hídricos, exatamente por conta disso, tendo a aplicação mais próxima. Da informação gerada pela instituição à sua aplicação no mundo real, na sociedade. Isso pra mim é importante porque uma instituição como a Funceme, você não vende fácil. Ou você tem um gestor acima de você que entenda por que é preciso uma instituição como a Funceme ou...

OP – É uma contradição, porque a economia do Estado passa por aqui. 
Eduardo – É, mas existe uma dificuldade, isso em qualquer lugar do mundo, inclusive em alguns avançados, como Austrália e Estados Unidos, do uso de uma informação que é incerta no processo de tomada de decisão. A gente fala aqui que o clima tá mudando, que temos essa incerteza do clima no próximo ano, como a gente toma uma linha de ação que vai atender às necessidades que teremos em 2016? Existe a dificuldade do gestor público delinear um conjunto de ações diante dessa incerteza da informação que a gente gera. Mas, infelizmente, é a natureza. E a natureza é incerta. A gente nunca vai conseguir dizer: olha, vai chover tantos milímetros nos próximos três dias.

OP – Você pontua e diz “pra mim é bom”, mas e para a academia? O que pensam os pesquisadores que se aproximam daqui, sobre essa troca de pastas a que submetem a Funceme?
Eduardo – Essas passagens que tivemos nas outras secretarias, a gente sempre pegou algo pra dentro da Funceme. A gente ganhou bagagem. No sistema de ciência e tecnologia, a bagagem que a gente pegou foi iniciar um processo de competição em editais de concorrência. Quando a gente foi pra Secitece, eu era gerente de recursos hídricos, o Assis era o presidente, tivemos uma reunião com o doutor Hélio Barros (ex-secretário da Secitece), que disse “não é possível, temos que competir com Pernambuco, temos que ter captação de fomento do setor de ciência e tecnologia”. Eu disse pra ele “me dê gente que a gente compete”. Ficou acertado que a gente teria bolsistas, para trabalhar algumas propostas. Lembro que no primeiro ano a gente elaborou 30 propostas e não tivemos nenhuma aprovada, porque a competição era acirrada. Até que no ano seguinte tivemos a primeira e aí começou, uma atrás da outra. Hoje a gente tem projeto de cooperação internacional com a Alemanha. Com França e África, um projeto tripartite, para estudar seca aqui e lá e fazer comparativo. O pessoal da Alemanha que a gente tem cooperação é da Universidade de Potsdam, também nessa área de recursos hídricos e estudos de seca e cheia. A gente está preocupado hoje com seca, amanhã a gente vai estar preocupado com cheia. Tem que antever.

OP – Que recortes de estudo os estrangeiros estão fazendo aqui?
Eduardo – Vários recortes. Desde do estudo da operação de reservatórios diante de eventos críticos, seca e cheia, como também a elaboração de ferramentas. No caso de cheia, o desenvolvimento de rotinas para o uso da informação do radar, para estimar uma cheia afluente ao Castanhão e você saber o quanto tem que abrir a comporta pra atenuar os efeitos dessa cheia na região jusante. Tem projeto de estudo de qualidade de água, também com a França e as universidades de Brasília e a Federal do Amazonas, usando informação de sensoriamento remoto (satélite). O monitoramento em campo de 140 reservatórios, você consegue fazer uma vez a cada três meses. Mas com satélite, se eu conseguir imagens de boa resolução, consigo fazer todo dia, na frequência que o satélite tiver a imagem. 

OP – A Funceme não faz ainda?
Eduardo – Já está fazendo. No escopo desse projeto, já estamos monitorando diariamente Orós, Banabuiú e Castanhão, juntamente com o pessoal da França. E agora com o pessoal da Universidade de Brasília estamos fazendo um estudo, um pouco diferente, eles estão desenvolvendo um vant, que é um drone. A gente faz uma medida pontual, pra ver o balanço de radiação que chega no reservatório, e faz a relação desse balanço com a reflectância da imagem do satélite. Aí estabelece essa relação a partir da análise laboratorial de clorofila A, que dá o índice de eutrofização. Com o vant, a gente vai ter a imagem de todo o reservatório. Nós vamos relacionar a imagem do vant com a do satélite. Com isso vamos ter uma análise do indicador de eutrofização para todo o espelho d´água. A gente vai conseguir ver, por exemplo, pontos de lançamento de esgoto clandestino.

OP – O que esses últimos quatro anos de seca trouxeram de novidade na pesquisa da Funceme, de aprendizado saído daqui?
Eduardo – Acho que se pudesse escolher uma, das coisas que a gente vem trabalhando, e no Brasil não tem nenhum grupo que esteja trabalhando tanto quanto a gente para ter produtos voltados para os setores de agricultura e recursos hídricos, é a questão da previsão climática e impactos. Hoje a Funceme está rodando o modelo global. Por que, se faz previsão para o Ceará? 

OP – Modelo global significa que monitora o planeta todo?
Eduardo – Eu faço a previsão do clima para o globo. Só que o clima do Ceará é afetado pelo Atlântico e pelo Pacífico. Por isso que é importante fazer global. Porque eu posso fazer a previsão em janeiro para fevereiro-março-abril, e se eu quiser, porque existe uma incerteza, posso mexer no Atlântico. Deixá-lo numa situação mais desfavorável e rodar novamente no modelo para ter uma sensibilidade, o que pode acontecer como clima futuro com essa tendência que os especialistas estão apontando para o Atlântico ou Pacífico.

OP – Isso não se fazia quatro anos atrás?
Eduardo – Não, não se fazia. Historicamente, a Funceme sempre trabalhou com modelo regional de clima. A gente usava modelos globais, de outros centros, para forçar modelos regionalizados. Hoje a gente roda o global aqui, roda o regional aqui. Somos totalmente independentes dos centros nacionais e internacionais hoje. Não precisa de ninguém.

OP – Até quatro anos atrás eram dependentes?
Eduardo – Nós iniciamos isso em 2012. Por quê? A gente via que alguns centros que a gente estava utilizando informação para forçar os nossos regionais, eles estavam alterando os resultados do modelo estatisticamente. A gente achava que isso não era bom. Às vezes o modelo estava indicando que era seco, mas ele fazia uma correção estatística com base nas forçantes. Esse modelo que eles usavam para fazer a correção era totalmente dominado pelo Pacífico e, às vezes, o sinal invertia. O que era seco ficava mais normal, um pouco chuvoso. A gente achou que era melhor ter uma abordagem mais objetiva em relação à modelagem. Até porque o modelo que a gente usa tem uma performance muito boa com o Norte-Nordeste. Fazer qualquer alteração nesse modelo, talvez para eles, na região que eles têm interesse, funcionasse, mas para nossa região não funcionava. E a outra razão da mudança foi por conta da necessidade de a gente poder rodar cenários. “Os especialistas estão indicando que o Pacífico pode mudar assim”, “que o Atlântico pode mudar assim”. Pra gente não ficar pensando o que pode acontecer, a gente roda o modelo e tem uma ideia do que pode piorar ou melhorar em termos de clima nos próximos meses. 

OP – Institutos do Norte-Nordeste mandam previsões para outros Estados?
Eduardo – Isso foi valor agregado ao trabalho que estamos fazendo. Como a gente está fazendo a previsão pro globo, o resultado para o Brasil hoje é utilizado pelos centros nacionais para combinar com os modelos que eles rodam. Eles combinam o modelo da Funceme, o modelo do Inmet e os três modelos do Inpe e geram uma previsão que chama Superconjunto de Modelos Nacional. Que é Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), Inmet e Funceme.

OP – Quais outros Estados têm unidades meteorológicas importantes?
Eduardo – Eu diria que Pernambuco está avançando muito. Lá é junto com a agência de águas, a APAC (Agência Pernambucana de Águas e Clima). Tem o Simepar, Sistema Meteorológico do Paraná, cuja especialidade é mais tempo. E tem o de Santa Catarina, que é o Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural).

OP – O prestígio da Funceme em relação ao país está bom?
Eduardo – Está. Apesar de todas as restrições que nós temos, principalmente em termos de pessoal, a gente tem conseguido com esses projetos, de caráter temporário, continuar ativo nessas áreas. Nosso foco nos últimos anos tem sido muito a previsão climática e impactos. Ou seja, prever o clima, mas não ficar só com a variável de precipitação. A gente saber o que vai acontecer em termos de vazão, de safra. Temos desenvolvido produtos nesse sentido.

OP – Para o cidadão, no dia a dia, melhorou?
Eduardo – O dia a dia é tempo. É difícil a gente responder isso porque cada usuário tem um interesse diferente. Às vezes chover e não chover pra ele é a mesma coisa. O usuário que acho que a gente pode mais medir a temperatura, de importância do trabalho, seria em relação à Defesa Civil. A gente tem que citar o excelente trabalho que a Defesa Civil vem fazendo, desde a gestão anterior, muito motivacionada pela vontade dos seus técnicos.  A Defesa Civil é uma grande usuária da nossa informação. Trabalhos que eles fazem nas escolas com as nossas informações. Eles têm acesso a todos os aplicativos, então conseguem antecipar suas ações com base nas imagens do radar, com base nos modelos de previsão. Sempre quando tem previsão de evento severo para a Região Metropolitana, a gente manda um alerta pra Defesa Civil. Quando a gente trabalha com o usuário, não tem a pretensão de achar que sabe o que o usuário precisa. Então, a gente trouxe a Defesa Civil e perguntou “o que você precisa?”. A partir dessa pergunta, a gente avaliava o que podia fornecer e modificava a partir do perfil do usuário. Essa é uma tentativa também de melhorar nossos laços com os usuários que fazem uso dessa informação.

OP – Há uma constatação de que, mesmo com vários avanços e do que ganhou com a troca de experiências nos últimos anos, a Funceme perdeu muito com a fuga de cérebros. Qual o déficit de pessoal que a Funceme tem hoje?
Eduardo – Para você ter uma ideia, a gente perdeu muita gente pra aposentadoria. Desde 1995 vem perdendo gente. E muita gente realmente pediu demissão por conta da questão salarial.

OP – Qual o quadro de pessoal da Funceme hoje?
Eduardo – Do último concurso, pra você ter uma ideia, nós tínhamos 76 pessoas, hoje temos 20. 

OP – São apenas 20 pessoas no quadro da Funceme?
Eduardo – Aí tem o pessoal do administrativo...

OP – Que trabalham com os dados, são 20?
Eduardo – Meteorologistas... nós temos dois meteorologistas.

OP – Dois? Precisaria de quantos?
Eduardo – Eu gostaria de pelo menos 13. 

OP – Vocês já trabalharam com quantos?
Eduardo – Ah, já tivemos muita gente aqui.

OP – Já trabalharam com mais de 15, 20?
Eduardo – Já. Uns 15.

OP – De 15 baixou pra dois?
Eduardo – É.

OP – Os que estão presentes hoje são de convênio ou de quê?
Eduardo – Não, nós temos bolsistas. Não podemos terceirizar área fim. A legislação não permite. Tem um físico que trabalha na meteorologia, então temos três pessoas na meteorologia. E no dia a dia da meteorologia nós temos, um físico, um meteorologista e um bolsista que é meteorologista. Três pessoas. É pouco e insuficiente pra se fazer plantão. A gente tem que preparar a instituição pra ter plantão 24 horas. Como se pode dar alerta na madrugada se não se tem um técnico de plantão olhando os sistemas que estão entrando? O tempo aqui muda muito rapidamente.

OP – Como vocês fazem isso hoje?
Eduardo – Hoje a gente faz com a colaboração da Defesa Civil, dando treinamento pra eles. Porque eles têm plantão.

OP – Eles monitoram a informação básica?
Eduardo – Eles monitoram e a gente tenta automatizar todos os nossos processos. Isso nunca é perfeito. Mas, por exemplo, uma estação está registrando uma mudança muito grande de precipitação nas últimas horas, o sistema manda uma mensagem pra Defesa Civil. A gente tem o radar no sistema se intensificando, o algoritmo implementado por um técnico de TI (tecnologia da informação) detecta isso e manda um alerta pra Defesa Civil.

OP – Certamente esse é o menor quadro de pessoal que vocês já tiveram?
Eduardo – Com certeza. Estamos no fundo do poço em termos de pessoal. Não tem mais o que fazer.  

OP – E o que se tem previsto de melhora dessa situação?
Eduardo – Foi uma das primeiras conversas que tive com o governador. Ele autorizou a gente fazer um plano de cargos, porque também não adianta fazer concurso com os salários existentes. Vou nem falar em salário aqui pra vocês não se chocarem. 

OP – Se os dois meteorologistas e o físico saírem, parou a previsão aqui?
Eduardo – A previsão de tempo, sim. A previsão de clima, não. Porque hoje a gente tem uma abordagem de modelagem. Em clima se usa modelagem porque tem uma boa performance. Claro que a gente consulta especialistas, participa das reuniões de discussão com o Inpe, Inmet, mas nosso sistema cuida.

OP – Você está dizendo então que pra isso as máquinas resolvem?
Eduardo – As máquinas com o bom senso de alguém.  

OP – Esse pessoal que cuida do clima, há quantos?
Eduardo – É tudo gente de TI.

OP – É mesmo?
Eduardo – Eu não posso ter terceirizado na área fim. Área fim é concurso público ou bolsista. Uma vez saído o resultado, é claro, a gente discute com o pessoal, os meteorologistas que estão na instituição. Mas, em última análise, o modelo tem cumprido o papel. Se não estiver dizendo nenhum absurdo, fica o que o modelo disser. A gente tem tido bons resultados usando essa abordagem.

OP – Os governos têm sido bons pra Funceme?
Eduardo – O governo que mudou a cara da Funceme foi o governo Ciro Gomes, anos 1990. O concurso foi na época do Ciro.

OP – Mas esse pessoal todo foi embora?       
Eduardo – Foi.

OP – Então a gente pode dizer que internamente, no Ceará, a Funceme perdeu prestígio.
Eduardo – Isso, acho que não. O problema não é esse. Quando a gente fala em resolver problema de pessoal, isso rebate em várias áreas. A postura do governo tem sido de cuidado ao olhar essa coisa de um plano de cargos, concurso. Porque não é só a Funceme que tem carência. Educação, Saúde... Quando você lança um, isso gera impacto, uma onda de demandas que tem que ser contida de algum modo. Isso é natural.

OP – Hoje, o quadro satisfatório pra Funceme seria de 15 meteorologistas?
Eduardo – O concurso que a gente pediu ao governador foi de 45 vagas. E, na verdade, pedindo mais, da seguinte forma: a gente tendo oportunidade de chamar, ao longo do tempo, mais profissionais. Porque a gente não consegue absorver todo mundo porque o espaço aqui é limitado. De uma vez não vai conseguir. A gente queria botar pelo menos 13 pessoas na meteorologia, divididos na área de modelagem, de radar, mas a ideia é ter plantão. Porque é incabível ter uma instituição meteorológica sem plantão. A gente precisa ter gente aqui se comunicando 24 (horas) por 7 (dias), não importando se é Natal, Carnaval. Desastre acontece é nessas horas.

OP – Se for necessário apertar um botão de pânico, a informação não será tão precisa?
Eduardo – É. Nós precisamos ter plantão porque alguns eventos acontecem muito localmente. Se não tiver gente olhando pra tela, lendo o sistema de monitoramento, não vai conseguir avisar aos usuários que precisam ser avisados. 

OP – Uma enxurrada como aquela do dia 3 de janeiro deste ano, em Fortaleza (onde choveu 55mm, entre 5h e 14h), teria como ser antecipada?
Eduardo – Teria. Mas sem gente olhando, não.

OP – Mas ali foi disparado alerta?
Eduardo – Foi dado alerta. Pela Defesa Civil. O que a gente tem adotado é um plantão, com muito boa vontade, em que sábado o pessoal vem pra instituição até meio dia. Aí o técnico leva um telefone pra casa e fica monitorando on call (em chamada), como a gente chama. Monitora de casa. Ele tem internet, computador, e qualquer mudança comunica à Defesa Civil.  E o órgão municipal é muito alerta.

OP – Como está o Monitor das Secas? Está rodando?
Eduardo – Está rodando, não está operacional. Estamos esperando o lançamento oficial pelo Ministério da Integração e Agência Nacional de Águas. Estamos rodando o Monitor todos os meses. A gente sai com o mapa da severidade da seca daquele mês e o que mudou em relação ao mês passado. Desde julho do ano passado. 

OP – Esse material está sendo aproveitado pelo governo?
Eduardo – Pela Agência Nacional de Águas, pelo governo. No Plano de Seca (lançado há poucos dias no Ceará), estava lá o mapa do Monitor, pra mostrar a situação de evolução da seca desde julho até aquele momento. Foi base para o plano de seca do governador.

OP – A iniciativa privada está utilizando?
Eduardo – Não, porque a gente ainda não lançou oficialmente. E essa é uma demanda que a gente tem junto ao Ministério da Integração e está sendo tratado pela Agência Nacional de Águas.

OP – Precisará pagar ou vai ser uma informação pública?
Eduardo – Não, será uma informação pública. A grande vantagem dessa informação é que ela está sendo feita, diria, a quatro mãos. É o Governo Federal e os governos estaduais trabalhando no mesmo monitoramento. O que isso permite? Temos a rede federal sendo utilizada para compor o mapa, temos as redes estaduais e todo mundo validando aquele produto. Ao final você tem um produto que foi acordado entre os entes estaduais e o ente federal. Não tem aquelas disputas, “ah, meu município não está assim”, “meu estado não tem esse índice de severidade”. Você tem um produto que resolve alguns conflitos. O grande sonho é que esse produto possa ser efetivamente utilizado. Mas é claro que precisará de um tempo de maturação para como usá-lo. Para eventualmente você ter uma decretação de emergência com base no nosso Monitor de Secas. Esse é um sonho, espero que um dia a gente possa chegar a isso.

OP – Você imaginava, quando criança, que iria trabalhar com seca e chuva?
Eduardo – Não. Mas quando entrei na universidade sabia que iria trabalhar com água.

OP – Veio de qual curso?
Eduardo – Engenharia Civil, aqui na UFC. Mestrado e doutorado em Recursos Hídricos. 

OP – Você não é meteorologista de formação?
Eduardo – Não. Acho isso interessante porque coloca a aplicação como fim. A gente tem preocupação de gerar a informação, ok, mas o que eu faço com ela? Acho até que temos que chegar mais além, ao usuário global. É tanto que uma das demandas que tenho pro concurso é poder botar gente de comunicação. Pra trabalhar com a sociedade, talvez com tipologias diferentes de produtos de comunicação, pra diferentes usuários, agricultura, mídia em geral. Ter produtos formatados para o público em geral.

OP – A área de meteorologia é deslocada da indicação política, diferentemente de quase toda área de governo?
Eduardo – Vou falar da minha experiência como presidente da Funceme. Nunca sofri pressão política para mudar previsão, por exemplo. Se isso foi feito por alguém, foi por visão de mundo de alguém no momento. Até mesmo momentos críticos a gente tem alertado, sobre preocupações futuras de mais longo prazo, embora não seja previsão. Com o El Niño é uma preocupação, não estou colocando como uma previsão. Porque acho que o cenário pode mudar também, mas não é isso que está sendo indicado. É uma preocupação que precisamos colocar pra todo mundo. Não dá pra gente, diante do quadro que temos de reservas hídricas, se calar diante de uma informação dessas.   

OP – A Funceme tem um setor que trabalha com desertificação. Entrando para o quinto ano de seca, qual é o grau de influência que vamos ter na desertificação?
Eduardo – Uma das forçantes da desertificação é o clima. Essa relação entre o que chove e o que transpira, força a desertificação. Quando o clima é muito árido ou semiárido, isso favorece o processo de desertificação. É claro que existem as forçantes antrópicas. O uso intensivo de uma terra já frágil acelera o processo. Sobre desertificação, estamos fazendo algumas ações, projeto pequeno, de recuperação da área do Brum, no Jaguaribe. A gente está aplicando uma série de técnicas, tentando fazer obras de contenção de sedimentos. A ideia é ver a efetividade dessas técnicas naquela região, bem degradada. O projeto tem um ano e meio e a gente já vê alguns resultados, apesar das chuvas que não foram tão bondosas naquela região. 

OP – Tem regiões que já não têm mais recuperação, como Irauçuba, por exemplo.
Eduardo – Ali é a combinação de uma área que foi muito antropizada e ao mesmo tempo o clima, que é muito severo. Precisaria de uma ação mais intensa para poder conter a erosão, que é marcante. Em algumas áreas, simplesmente um repouso já seria uma medida aconselhável. Estamos iniciando um diálogo com a Secretaria de Meio Ambiente (Sema), para ver como a Funceme e a Secretaria podem colaborar mais nessas áreas. Não só diagnóstico. Esse olhar só monitorando durante algum tempo serviu a um propósito. A gente tem que começar a ter ações mais proativas na recuperação dessas áreas.



No Facebook, sou alertado pelo Livan Chiroma a respeito do programa de Silas Malafaia do último sábado, 20 de abril. Entre bravatas, “desafios a toda a nação” autopropagandas, televendas de todo tipo, aplausos da plateia para qualquer espirro mais “ungido”, e vários malafaias sendo vendidos em diversos ramos do entretenimento gospel, há o que parece ser um encontro de líderes da Associação Vitória em Cristo. Alguns trechos do sermão:

“Hoje eu levo minha família toda (a hotéis quatro estrelas) e não tô nem aí. Não tô roubando. Não tô nem aí pra você, ô mané, que tá me assistindo (…) Eu não vou deixar de usufruir do lugar vitória porque eu sei o preço que eu paguei e que eu tenho pago”. “Aqui tem três mil pessoas que o hotel e a pensão completa é bancada pelo meu ministério. Quer falar, fale”. “Você quer saber o valor do meu anel? Quatro mil dólares. Com meu dinheiro”. “Tá vendo o Mercedes e500, blindado na Alemanha? Foi um parceiro meu que me deu de presente de aniversário”.

Longe de mim confrontar o célebre comunicador gospel, até porque os que assim o fazem são definidos por ele como “ímpios travestidos de crente”, e não quero essa pecha. Só faria um parêntese para recomendar esse estudo do pastor americano Mark Driscoll a respeito de mordomia cristã. O conceito de “mordomia”, basicamente, defende que o que temos não é nosso – é de Deus, que nos incumbiu de administrar, não para o nosso usufruto, mas de acordo com os interesses do reino dele.

Mas longe de mim dizer que o Malafaia está completamente fora de 2 mil anos de teologia cristã.

Malafaia dispensa opiniões, e seus seguidores parecem ser imunes a elas. Assim, para não desperdiçar meu tempo nem o seu, o que queria é contar uma história a respeito de Clives Staples Lewis (1898/1963) que me veio à mente assistindo aquele espetáculo religioso-televisivo. Lewis, como se sabe, é considerado o maior pensador cristão do século 20, professor da universidade de Oxford, colega de JRR Tolkien, autor da saga Crônicas de Nárnia e de um dos maiores best-sellers de todos os tempos, Cristianismo Puro e Simples.

No livro póstumo Letters to american Lady, de 1967, há uma troca de cartas entre Lewis e uma mulher americana a quem o escritor tentava ajudar financeiramente. Depois de muito insistir, e depois de conseguir achar meios tributários de enviar o dinheiro, finalmente, a mulher aceitou a ajuda, dizendo: “Bem, eu vou aceitar então, e muito obrigada. Não me admira que Deus tenha te abençoado tanto lhe dando tanto dinheiro.”

Lewis não se conteve e respondeu à mulher: “Cuidado com os seus pensamentos em relação a isso. Em nenhum lugar no meu novo testamento eu vejo o dinheiro descrito como uma bênção. Na verdade, Jesus diz algo completamente diferente. Ele fala sobre o engano das riquezas (“mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera”, Marcos 4.19). Cristo diz que é quase impossível para um homem rico entrar no reino dos céus (“E, outra vez, vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”, Mateus 19.24). O que você chama de bênção, tem um poder muito maior para destruir. Na verdade, eu preciso te dar este dinheiro, ou ele provavelmente me destruiria. Não olhe para homens com recursos vendo nisso a prova de serem abençoados. Provavelmente, isso é a marca de sua maldição eterna.”

Agradeço ao Senhor porque, se há Silas Malafaia, há também C.S. Lewis, e as trevas de um não conseguem ofuscar o brilho de outro. Pelo contrário, só o reforçam. Como dizia São Francisco de Assis, um único raio de sol já basta para afastar muitas sombras.

Que eu tenha olhos bons para olhar para os exemplos que podem iluminar meu caminho e o caminho dos que estão à minha volta.


Pesquisadores pensam que estamos muito próximo de uma extinção em massa que poderia dizimar grande parte da vida na Terra. Será que eles estão certos? Não sabemos, mas há algumas evidências que indicam que sim.

Antes de tudo, temos de definir o conceito de extinção em massa. Ela ocorre quando mais de 75% de todas as espécies do planeta morrem em menos de 2 milhões de anos. Parece muito, certo? Em termos humanos sim, mas em geológicos não – é um piscar de olhos, tanto que nosso planeta já presenciou 5 extinções em massa nos últimos 540 milhões de anos, a mais famosa sendo aquela que incluiu a morte dos dinossauros após a queda de um meteoro.

Supervulcões

E o mais famoso deles, tema de filmes como “2012”, está localizado no Parque de Yellowstone, nos EUA (imagem em destaque). É uma fina camada de terra que está no topo de um caldeira gigante, e há quem diga que esse supervulcão pode explodir em um futuro não muito distante. Caso aconteça, a erupção pode vomitar muito carbono e outros gases de efeito estufa, além de cinzas. Uma erupção do tipo aconteceu há 250 milhões de anos na Sibéria, e alterou drasticamente o clima terrestre, que oscilou entre calor e frio extremo. Essa mudança dizimou 95% das formas de vida da época.

Superpopulação

Ultrapassamos as 7 bilhões de pessoas, e não há recursos para todos. Também invadimos todos os cantos, exceto a Antártida. Esse aumento drástico na população nos últimos séculos tem levados muitas espécies a mudar de habitat, o que gera mudanças em toda a cadeia alimentar.

Mudanças Climáticas


É inegável que as calotas do Ártico estão derretendo a um ritmo preocupante, e o clima global vai gradualmente subindo. Ao contrário do que muitos pensam, os humanos podem não ser os únicos responsáveis pela mudança climática – a Terra já sofreu com aquecimentos e resfriamentos extremos ao longo de milhões de anos. Infelizmente, sempre que isso acontece vem junto uma grande extinção em massa. A primeira delas (há 540 milhões de anos), foi causada por uma idade do gelo breve e em sequência um rápido efeito estufa. Outra extinção no final do período Triássico provocou incêndios colossais ao redor do globo, o sufocando em cinzas.

Acidificação dos oceanos

Tão preocupante quanto as mudanças climáticas é o aumento da acidificação dos oceanos, o que está matando muitos recifes de corais e dificultando a vida de mariscos. Cerca de 200 milhões de anos atrás, uma extinção em massa causada por essa acidificação matou 80% da vida no planeta, grande parte dela nos oceanos. Com o aumento da acidez, o nível de cálcio cai, impedindo que as criaturas sem casca construam suas conchas, as deixando muito vulneráveis. Quando essas criaturas morrem, seus predadores ficam sem alimento, gerando um colapso na cadeia alimentar.

Taxa superior à média

Extinções (não em massa) sempre foram muito comuns ao longo da história da vida, tanto que matemáticos e biólogos encontraram um número médio de criaturas extintas por período ao longo dos milhões de anos. Consideramos uma extinção em massa um enorme pico nessa estatística. E há muitas evidências que indicam que a taxa de extinções que temos presenciado nos últimos 500 anos é bastante elevada em relação à períodos anteriores. Isso pode ser um sinal do início de uma extinção em massa.

Queda na diversidade


Pesquisadores podem descobrir a taxa de extinção estudando a diversidade de fósseis. Desse modo, eles descobrem também as criaturas e plantas que eram vivas em certo período, além de como elas sumiram do registro fóssil. E nos registros mais recentes (últimos 50 mil anos), os cientistas estão vendo uma queda acentuada na diversidade de espécies. Isso também é um sinal de que uma extinção em massa pode ter lugar em um futuro próximo.

Os anfíbios estão morrendo

Pesquisadores estão notando um grupo gigante de espécies simplesmente sumir aos poucos – os anfíbios, sobretudo os sapos. Eles estão desaparecendo sobretudo por causa da destruição de habitat e propagação de um fungo mortal capaz de dizimar comunidades inteiras de sapos em semanas. E quando mais perdemos essa diversidade, maior é a chance de nos encontramos em mundo repleto de espécies predadoras. Tal cenário foi responsável por uma extinção em massa no Devoniano. [io9]

Globo e a CBF precisam prestar esclarecimentos ao Congresso
O escândalo de corrupção que abala as estruturas da Fédération Internationale de Football Association (Fifa) já começa a afetar os negócios das Organizações Globo, em um dos seus setores ainda lucrativos. Segundo a revista semanal Carta Capital, na atual edição, “o dinheiro para pagamento de propinas vinha dos direitos de transmissão das partidas”. Por isso, “não será surpresa se o FBI bater na porta da família Marinho, dona da Globo“.

O escândalo atinge não apenas empresas de porte internacional, como a TV Globo, no Brasil, e a Nike, nos EUA, mas países como a Alemanha, a França e a Irlanda, onde já se insinua ter recebido bolada da Fifa para ficar calada sobre situações irregulares na instituição. Não obstante o volume de provas sobre os crimes praticados contra a economia popular e os pagamentos de propinas, a Fifa tem recebido, nos últimos 16 anos, certificados quanto à lisura de sua administração. O ‘nada consta’ tem sido assinado, ao logo deste período, pela empresa de auditores KPMG, uma das maiores do mundo. A KPMG também será investigada, segundo o processo.

Sócio perigoso

O empresário J. Hawilla, um dos maiores parceiros da Rede Globo nas negociações referentes aos torneios de futebol, já confessou a sua culpa no caso e, além do pagamento de uma multa milionária, está colaborando com as investigações em um acordo por uma condenação menor.

A capa da Carta Capital desta semana traz um álbum de figurinhas estilizado com Ricardo Teixeira (indiciado pela Polícia Federal), Joseph Blatter (presidente renunciado da Fifa), Jérôme Valcke (investigado pela Justiça dos Estados Unidos), José Hawilla (réu confesso) e José Maria Marin (preso na Suíça). A sexta imagem é o símbolo da Rede Globo e um ponto de interrogação.

Jogo pesado

Além das Organizações Globo, a Nike e outras grandes companhias internacionais também entraram na mira de uma investigação sobre o papel influente que exercem no futebol brasileiro, como parte dos esforços do ex-jogador e atual senador Romário (PSB-RJ) de expor o que descreve como contratos de marketing suspeitos e ligações a pagamentos corruptos.

Romário, que comandou o Brasil na conquista da Copa do Mundo de 1994 usando chuteiras da gigante norte-americana de material esportivo, está à frente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre acordos de patrocínio no futebol, após as acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que abalaram o mundo do futebol.

Três brasileiros estão entre os acusados no indiciamento norte-americano, incluindo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marín.

Romário e procuradores brasileiros ainda não acusaram a Nike de ter feito qualquer coisa ilegal, apesar de o acordo de US$ 160 milhões da companhia firmado em 1996 para patrocinar a seleção brasileira estar ligado a supostas propinas, de acordo com a acusação dos Estados Unidos divulgada na semana passada.

A Nike ainda não está entre os acusados, mas só há uma companhia que se encaixa com a descrição dos procuradores norte-americanos. Em nota na última semana, a Nike informou que as acusações não alegam que a empresa participou de condutas criminais ou que seus empregados estavam envolvidos ou conscientes de subornos.

Romário, principal voz no país em defesa de reformas no futebol, cuja fama em campo impulsiona sua influência, diz que deseja investigar tal acordo de patrocínio para averiguar se o contrato foi usado para desviar dinheiro para dirigentes e exercer influências indevidas no esporte.

A CPI, que deverá ser instalada na próxima semana, terá o poder de intimar testemunhas e obter registros bancários e contratos privados, mas não poderá emitir mandados de busca ou apreensão.

Entre as companhias cujos acordos de patrocínio com a seleção brasileira nos últimos anos devem ser analisados estão a TAM, parte da Latam Airlines, e a Ambev, atualmente subsidiária da Anheuser-Busch InBev.

– Estas empresas serão a frente e o centro na investigação… Elas não conseguirão ficar em silêncio. As pessoas estão de saco cheio e querem saber o que os patrocinadores estão fazendo com o poder de seus talões de cheques para exigir mudanças no esporte – disse Fernando Ferreira, presidente da empresa de marketing esportivo Pluri.

Marketing milionário

O inquérito norte-americano informou que o acordo de 1996 da “Companhia Esportiva A” – aparentemente a Nike – aceitou pagar US$ 40 milhões em “honorários de marketing” que não estavam em seu contrato inicial com a CBF para a conta de uma afiliada da empresa brasileira de marketing esportivo Traffic em uma conta bancária na Suíça.

José Hawilla, o fundador da Traffic que foi nomeado no inquérito como condenado por suborno, aceitou dividir metade de tudo que recebeu pelo acordo com um membro sênior não identificado da CBF, de acordo com o Departamento de Justiça norte-americano. Isto equivalia a “milhões de dólares, como suborno e propina”, de acordo com a acusação.

A nova CPI do Senado repete um inquérito do Congresso de 15 anos atrás. Aquela investigação foi consumida por lutas políticas internas e não resultou em acusações formais, mas trouxe à luz aspectos secretos do acordo da Nike, como o direito de organizar cinco partidas amistosos para a seleção por ano, escolhendo oponentes e jogadores incluídos nos chamados “jogos da Nike”.

A nova investigação liderada por Romário rapidamente ganhou o apoio de colegas senadores e do governo da presidente Dilma Rousseff. Ele diz que os brasileiros não irão tolerar a mesma impunidade que ocorreu depois da última investigação.

“Considero o momento bem diferente, os cartolas estão enfraquecidos. O mundo inteiro está de olho nisso, não é só uma questão de futebol do Brasil”, disse Romário à agência inglesa de notícias Reuters, por e-mail.

“Não podemos permitir que o futebol continue sendo uma camuflagem para tantos crimes. Mas o que posso te afirmar, com certeza, é que eu farei o possível para levar bandidos para a cadeia”, acrescentou.

Os investigadores dos acordos dos anos 1990 disseram que as práticas empresariais sobre o esporte mudaram pouco desde então.

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, diz que não sabia de nada sobre o suposto esquema de propinas envolvendo a entidade e está cooperando com investigações das autoridades.

Sob o atual patrocínio da Nike com a seleção brasileira, que vai até 2026 e sem detalhes públicos, a empresa paga à CBF US$ 40 milhões por ano, de acordo com uma fonte familiarizada com o contrato.