Crise se espalha pelo Oriente Médio: entenda como os conflitos estão ligados entre si

Estados Unidos já expressavam o temor de que o conflito "original", entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, se espalhasse pela região, o que tem potencial de causar um emaranhado de conflitos paralelos envolvendo potências regionais, como o Irã.

Por g1

Ataques do Irã agravam conflito no Oriente Médio

Israel bombardeia a Faixa de Gaza. O Hezbollah ataca o norte de Israel; os Houthis atacam o sul do país, ambos respaldados pelo Irã.

O Irã ataca grupo apoiado por Israel no Paquistão, um dia depois de lançar mísseis balísticos contra a Síria e o Iraque alvejando bases da inteligência israelense.

Israel ataca Beirute, no Líbano, para matar um líder do Hamas. Navios transportam armas iranianas para os Houthis, grupo rebelde do Iêmen, que, por sua vez, têm atacado cargueiros do Ocidente no Mar Vermelho. EUA e Reino Unido bombardeiam alvos houthis no Iêmen.

O Oriente Médio, região que abriga países do leste do Mediterrâneo até o Golfo Pérsico, vive uma teia de conflitos interligados entre si e em escalada sem precedentes na história moderna da região.

Há semanas, os Estados Unidos expressavam o temor de que o conflito "original", entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, se espalhasse pela região, o que pode causar um emaranhado de conflitos paralelos envolvendo potências regionais, como o Irã.

Nesta semana, a escalada de ataques mostrou que isso já pode estar acontecendo, com a particularidade de que todos estão interligados. Entenda abaixo como:

  • A invasão do Hamas ao sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, quando o grupo terrorista sequestrou centenas de pessoas e matou 1.404, é a origem da nova onda de conflitos na região.
  • O governo israelense, como esperado, respondeu com intensos bombardeios à Faixa de Gaza, que já mataram cerca de 24 mil pessoas até esta quarta-feira (17), segundo o governo local, controlado pelo Hamas.
  • As primeiras manifestações de fora vieram do Hezbollah, grupo rebelde do Líbano financiado pelo Irã e que foi criado com o objetivo de destruir o Estado israelense. Desde outubro, o Hezbollah vem fazendo ataques no norte de Israel, com o intuito de defender o Hamas e tenta desestabilizar as tropas israelenses, concentradas na Faixa de Gaza, no sul.
  • Semanas após o início da guerra, o Exército israelense começou a interceptar mísseis lançados pelos Houthis, grupo rebelde do Iêmen e financiado pelo Irã.
  • Aos poucos, os Houthis foram ganhando mais protagonismo no conflito. Rebeldes do grupo vêm atacando navios cargueiros do Ocidente que passam pelo Mar Vermelho, o único ponto de entrada e saída por mar de Israel além do Mar Mediterrâneo. Já foram mais de 20 ataques a navios de diferentes países.
  • Em retaliação, os Houthis dispararam um míssil de cruzeiro antinavio contra um destróier da Marinha dos EUA no fim de semana, mas o artefato foi interceptado, e voltaram a atacar navios.
  • Nesta quarta-feira (17), os EUA mudaram a classificação dos Houthis, agora considerados grupo terrorista pelo país.
  • Em paralelo, Israel começou a contra-atacar para além da Faixa de Gaza e diz ter matado membros do alto escalão do Hezbollah e do Hamas no Líbano. Um desses ataques ocorreu na capital do Libano, Beirute. O governo libanês, que até então não havia entrado no conflito, culpou Israel e prometeu retaliação.
  • O Irã já participava dessa teia de conflitos indiretamente, através do financiamento ao Hezbollah, ao Hamas e aos Houthis. Mas, depois das ações dos EUA e do Reino Unido, Teerã quis dar uma demonstração de força e fez três ataques.
  • Na segunda-feira (15), lançou mísseis contra alvos na Síria e no Iraque, alegando estar destruindo bases do Mossad, o serviço de inteligência de Israel. E, na terça-feira (16), bombardeou no vizinho Paquistão - cujo governo é apoiado pelos EUA - bases do grupo rebelde Jaish al Adl. Teerã alega que esse grupo é financiado por Israel.

Guerra terceirizada

Para o professor de Relações Internacionais da ESPM Leonardo Trevisan, a escalada ocorre em parte porque o Irã está fazendo uma "guerra por procuração" através do apoio aos grupos rebeldes. E os ataques feitos por Teerã são uma tentativa de o país, xiita, tentar se impor na região diante de outra potência, a Arábia Saudita, cujo governo é sunita e mais próximo dos Estados Unidos.

"Essa guerra ganha importância enorme não só pela briga com palestinos, mas pelo contexto de onde ela está", disse em entrevista à GloboNews.

Agrava o cenário o fato de que potências de fora podem participar de forma mais ativa nos conflitos.

Os Estados Unidos, que vinham tentando se descolar do conflito e inclusive já pediram ao governo israelense que contenha os ataques à Faixa de Gaza, vêm demonstrando agora mais disposição em participar dele.

"Não estamos à procura de uma guerra. Não estamos à procura de expandir isto. Os Houthis têm uma escolha a fazer", disse, na terça-feira (16), o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby.

O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse em discurso no Fórum Econômico Mundial, que acontece nesta semana em Davos, na Suíça, que a crescente variedade de ataques significa que os aliados devem “estar vigilantes com a possibilidade de que, de fato, estamos num caminho de escalada que temos de gerir”.

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