Chefe da Receita citou Bolsonaro para pressionar auditor a liberar joias

Receita reteve joias avaliadas em mais de R$ 16,5 milhões em 26 de outubro de 2021, quando comitiva do governo desembarcou em Guarulhos. Tentativa foi feita a três dias do fim do governo Bolsonaro, e não surtiu efeito.

Por Andréia Sadi, Octavio Guedes e Arthur Guimarães/g1

Joias no valor de R$ 16,5 milhões foram apreendidas pela Receita no Aeroporto de Guarulhos 👆 — Foto: reprodução

O chefe da Receita Federal no governo Bolsonaro, Julio Cesar Vieira Gomes, usou o nome do então presidente Jair Bolsonaro para pressionar um auditor fiscal a liberar as joias recebidas do governo da Arábia Saudita, avaliadas em mais de R$ 16,5 milhões.

A tentativa de "carteirada" usando o nome de Bolsonaro não surtiu efeito: o auditor explicou que era necessário seguir uma série de requisitos formais, e que não seria possível liberar as joias.

O pedido foi feito a três dias do fim do governo, apurou o blog com fontes da investigação. Com Bolsonaro prestes a deixar o cargo, Julio Cesar tinha pedido prioridade na liberação das joias.

A Receita reteve as joias em 26 de outubro de 2021, quando uma comitiva do governo desembarcou em Guarulhos. Os itens preciosos estavam na bagagem de um assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

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Imagens gravadas no Aeroporto de Guarulhos, obtidas com exclusividade pelo blog, mostram o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque tentando retirar as joias no mesmo dia em que elas foram retidas pela Receita Federal. No vídeo, Albuquerque cita que as joias são um presente para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Veja acima.

As joias apreendidas estavam na bagagem de Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor de Bento Albuquerque. Ele e o ex-ministro integravam uma comitiva do governo Bolsonaro que havia viajado para a Arábia Saudita.

Entre as joias apreendidas estavam um colar, um anel, um relógio e um par brincos de diamantes, todos da marca de luxo suíça Chopard.

O vídeo obtido mostra que:

  • O ex-assessor Marcos André dos Santos Soeiro afirmou para os auditores, em um primeiro momento, que as joias eram um presente para o então ministro. Depois disso, explicou que Albuquerque tinha viajado para a Arábia Saudita para representar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Por causa da demora na liberação das joias, o ex-assessor ligou para Bento Albuquerque, que foi até o local para tentar resolver a situação.
  • Auditores da Receita Federal explicaram ao ministro que as joias ficaram retidas porque não tinham sido declaradas. Os agentes disseram ainda que as caixas poderiam ser liberadas posteriormente, sem o pagamento de impostos, se fossem declaradas como um presente para o Estado Brasileiro.
  • Depois que os auditores explicaram o procedimento legal para a liberação das joias, Bento Albuquerque comentou que nunca tinha recebido um presente "tão grande". Momentos depois, afirmou que as joias eram para Michelle Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro afirmou em rede social que não tinha conhecimento sobre as joias.

Nova tentativa frustrada

Em 29 de dezembro de 2022 – às vésperas do fim do governo e um dia antes de o então presidente da República embarcar para os Estados Unidos –, o sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva foi enviado em voo oficial da FAB pelo gabinete de Bolsonaro ao Aeroporto de Guarulhos para pegar as joias.

A operação não deu certo, e as joias permaneceram apreendidas na Receita Federal. Confira no vídeo abaixo 👇.

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