São Gonçalo: partidos racham alianças e acirram disputa pré-eleitoral em polo econômico do Ceará

O contingente eleitoral em São Gonçalo do Amarante é de quase 46 mil votantes, além do potencial econômico que garante relevância política

Por Ingrid Campos, ingrid.campos@svm.com.br

PONTOPODER

SGA: Base e oposição se articulam em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Foto: Divulgação/Aprece

Com reviravoltas nas últimas semanas, o quadro eleitoral de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza, vai embaralhar algumas dinâmicas estaduais no município. A própria pré-candidatura do atual prefeito, Professor Marcelão (PT), já ilustra a recomposição de forças locais, já que ele dá partida à pré-campanha pela base governista, da qual foi rival em 2020. 

Para completar, o PSB, aliado do PT no Ceará, é disputado por situação e oposição, podendo compor coligação com o PDT no segundo caso. Já o Republicanos surge como uma terceira opção no município, após tomar um quadro do PSB para lançá-lo como pré-candidato e estruturar o partido na cidade. 

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A corrida ocorre em um município com quase 46 mil votantes, um contingente eleitoral médio no Ceará, mas de grande valor econômico. É lá que se localiza um dos maiores complexos portuários do mundo: o Porto do Pecém (Cipp). 

Em 2021, faixa de análise mais recente do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), teve participação de 4,4% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual, ocupando a 4ª posição nesse ranking e demonstrando um crescimento constante, pelo menos desde 2002. Naquele ano, contribuiu com uma parcela de 0,26% na economia estadual, ficando na 44ª posição. 

Esses fatores, claro, garantem uma boa arrecadação para o município, o que garante uma margem importante para gestores colocarem políticas públicas em prática. Não à toa, é um reduto eleitoral estratégico.

ORGANIZAÇÃO NA BASE

No último pleito municipal, o prefeito Marcelão era filiado ao Pros, comandado pelo ex-deputado Capitão Wagner à época, e teve como candidata à vice-prefeita Bethrose (PP), ex-deputada. A chapa com a colega de gestão deve se repetir em outubro, mas o arco de aliança vai mudar. 

Eleito pela oposição em 2020, Marcelão iniciou 2024 reunindo oficialmente legendas da base governista no entorno da sua pré-campanha. Além do PP e da federação PT/PCdoB/PV, entram no bloco o PSB, a federação Rede/PSoL e outros, informa o presidente do diretório petista no município, Ivan Oliveira.

Apesar da migração de grupo político, o União Brasil – presidido por Wagner desde a fusão do DEM com o PSL, que o originou – também deve caminhar lado a lado com o PT na disputa em São Gonçalo do Amarante. 

“O União Brasil tem uma dinâmica própria e várias forças distribuídas no Estado. Contamos com o apoio do deputado federal Danilo Forte, um importante aliado do nosso governo, e o partido aqui é presidido pelo ex-prefeito Silva Neto – um dos políticos mais importantes da história de São Gonçalo do Amarante”, comenta o dirigente.

“Temos uma relação fraternal e de respeito pelo Capitão Wagner e não acreditamos que esta atual conjuntura inviabilize a manutenção do partido, inclusive a Fernanda Pessoa e o Roberto Pessoa são parceiros políticos na cidade”, acrescenta, em referência à deputada federal do União Brasil e ao prefeito de Maracanaú, do mesmo partido.

Ex-deputado e atual secretário de Saúde de Maracanaú, Wagner, inclusive, foi o preferido da população de São Gonçalo nas eleições de 2022 para o Governo do Estado, o que mostra a sua influência na região. Ele e o deputado Danilo Forte foram procurados pelo Diário do Nordeste para esclarecimentos sobre as relações no município, mas não houve resposta. O espaço está aberto para manifestações.

Outro parceiro a despertar curiosidade no município é o PSB. Apesar de aliado no Estado, a legenda acomoda nomes da oposição e chegou a ser cotada na chapa do principal rival de Marcelão, o deputado estadual Cláudio Pinho (PDT), na figura de Neto do Pecém, presidente da Câmara Municipal. O vereador, contudo, deve se filiar ao Republicanos e encabeçar chapa própria.

A reviravolta criou um impasse no cenário eleitoral de SGA, mas Ivan Oliveira garante que a incorporação à base governista já está avançada. “O partido aqui estava a serviço do ex-prefeito Cláudio Pinho e encontra-se abandonado desde 2021. Estamos com conversas avançadas na legenda e contamos uma reorganização do partido, pois estamos comprometidos com o projeto Ceará Cada Vez Mais Forte idealizado por esta nova gestão do PSB”, disse. 

O presidente e o vice-presidente estadual do PSB, Eudoro Santana e Elias José, respectivamente, foram procurados pela reportagem para comentários sobre as eleições em São Gonçalo do Amarante. Quando houver resposta, a reportagem será atualizada.

FORÇAS DE OPOSIÇÃO

Principal nome da oposição em São Gonçalo do Amarante, o deputado estadual e ex-prefeito Cláudio Pinho (PDT) tenta voltar ao poder na cidade. Governou por dois mandatos e tentou eleger Elder Gurgel (PDT) como sucessor em 2020, mas foi derrotado por dois pontos percentuais por Marcelão.

Agora, conversa com PSDB, Avante e PRTB por aliança na empreitada. O grupo tinha o PSB como reforço até recentemente, mas a saída de Neto do Pecém levou incerteza à relação.

O presidente da Câmara Municipal era uma forte aposta para representar a sigla socialista na chapa com o PDT, mas acertou filiação ao Republicanos na última semana e deve ser lançado pré-candidato à Prefeitura pelo partido.

São Gonçalo do Amarante é uma das cidades em que legendas da base governista estadual podem mergulhar na oposição em busca de espaço. É um impasse no caso do PSB, de Eudoro Santana, e um destino mais concreto no Republicanos, de Chiquinho Feitosa. 

Ciente disso, Cláudio Pinho recalcula a composição da coligação com cautela, já que “ainda tem muito tempo” para firmar alianças e escolher um candidato a vice-prefeito. Informou que vai buscar novamente o PSB por meio do ex-deputado Denis Bezerra, que acompanha as tratativas no município, e o União Brasil, presidido por Capitão Wagner no Ceará.

O Diário do Nordeste buscou ambos para esclarecimentos sobre as negociações, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Já o Republicanos conta com o intermédio do secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Robério Monteiro, na busca de entendimentos sobre a chapa majoritária. A sua participação é outra incógnita nesse cenário, uma vez que Robério, que também é deputado federal licenciado, está filiado ao PDT, mas pode migrar para o PSB nos próximos meses. Ele foi procurado pela reportagem, mas não houve resposta.

“Lá, nós tivemos a oportunidade de conversar com todo mundo e ver qual era o propósito de cada um, os planos de governo de cada um, e aí chegamos à conclusão que estávamos muito mais no sentido de quem se assemelhava mais com as nossas ideias, com os nossos planos, e ficamos lá com o Neto”, explicou Chiquinho.

Você chega no município e a base do governo é muito grande, com vários candidatos. O Marcelão foi para o PT, conversou comigo, conversou com outro, e a gente tomou a decisão de filiar e dar o partido para o Neto. É projeto do Republicanos ter uma pré-candidatura lá

CHIQUINHO FEITOSA

Presidente do Republicanos Ceará

PRÉ-CANDIDATOS EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE ATÉ O MOMENTO:

Professor Marcelão: atual prefeito, filiado PT. Foi eleito em 2020 pela oposição, no Pros, mas hoje integra a base governista;

Cláudio Pinho: deputado estadual pelo PDT e ex-prefeito do município por dois mandatos; 

Neto do Pecém: vereador e presidente da Câmara Municipal de SGA. Filiado ao PSB, está de malas prontas para o Republicanos.

Diário do Nordeste

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