O cinismo da política brasileira

Por que será que o presidente Lula se vê obrigado a fazer acordos, conchavos e substituir pessoas, como Ana Moser, por deputados?

André Fufuca, Alexandre Padilha e Silvio Costa Filho (📷: Ricardo Stuckert)

A reforma ministerial realizada pelo presidente Lula nesta semana está causando um alvoroço desnecessário entre os cientistas políticos. Há uma enxurrada de críticas em relação à substituição da esportista Ana Moser pelo deputado André Fufuca nos Esportes, assim como à substituição de Márcio França pelo deputado Sílvio Costa Filho em Portos e Aeroportos.

Vamos pontuar algumas coisas que os cientistas políticos teimam em não enxergar. Merecem até o Oscar da hipocrisia.

Atualmente, a Câmara Federal está dividida em seis bancadas, cada uma representada por diferentes partidos políticos. Temos:

  • Bloco UNIÃO, composto por PP, Federação PSDB CIDADANIA, PDT, PSB, AVANTE, SOLIDARIEDADE e PATRIOTA, totalizando 174 deputados federais. 
  • Bloco MDB, PSD, Republicanos e PODE conta com 142 deputados federais. 
  • PL possui 99 deputados federais. 
  • Federação Brasil Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, possui 81 deputados federais. 
  • Federação PSOL REDE conta com 14 deputados federais.
  • NOVO possui três deputados federais.

Eis a questão: será que o PATRIOTA compartilha da mesma ideologia do PSB? Claro que não! É importante lembrar que as Bancadas são uma extensão dos partidos e devem ter ideologias e objetivos alinhados. Essa questão tem que ser levantada para demonstrar as contradições que permeiam a política e como o Lula está enfrentando uma falta significativa de apoio no Congresso Nacional.

O cenário político atual apresenta um desafio intrigante para o governo: são 513 deputados federais, mas, para que qualquer votação seja válida, é necessário a participação de, no mínimo, 308 parlamentares para aprovar emendas constitucionais. Parece uma tarefa simples, certo? Basta que as bancadas atuais se alinhem com o governo e coloquem as necessidades e interesses da sociedade brasileira em primeiro lugar, deixando de lado ideologias e partidos. Porém, a realidade é bem diferente.

Por que será que Lula se vê obrigado a fazer acordos e substituir pessoas, como Ana Moser, por deputados? A resposta é simples: o governo não tem a maioria no Congresso. Lula foi eleito, e isso o colocou em uma posição minoritária no Congresso Nacional, onde o PT conta apenas com 68 deputados.

É uma situação complexa, na qual se vê limitada pela falta de representatividade no poder legislativo. É como se estivesse remando contra a maré, lutando para fazer valer as decisões que foram tomadas nas urnas. É frustrante ver que, mesmo com um presidente eleito pela maioria do povo brasileiro, o governo se vê confrontado com obstáculos políticos que dificultam a implementação de medidas que beneficiam a sociedade, a economia e o desenvolvimento como um todo.

Portanto, é crucial que aqueles que estão criticando os acordos políticos em andamento reflitam cuidadosamente sobre a importância de eleger deputados que apoiem o projeto representado por Lula em 2026. Vejo ministros que estão saindo, soltando notas e dando entrevistas, mesmo sem terem feito campanha para eleger a maioria, considerando que o sistema político brasileiro atual se assemelha a um parlamentarismo disfarçado, onde o Congresso pode interferir significativamente nos principais objetivos do governo. As coisas não são tão simples como muitos imaginam e não se deve fornecer munição para os inimigos atacarem ainda mais. 

Recomenda-se às pessoas de esquerda e centro-esquerda que estão incomodadas com as mudanças que Lula está realizando para obter apoio no Congresso Nacional que trabalhem para que a democracia prevaleça no Senado e na Câmara em 2026. Se eleger mais deputados e senadores, podem mudar essa realidade. Não basta apenas criticar, é necessário orientar e conscientizar as pessoas sobre a importância da escolha dos representantes no Congresso Nacional.

É preciso ter essa percepção e esforço árduo para transformar essa triste realidade, a fim de que não precisemos mais nos envolver em negociações duvidosas como as que estamos presenciando atualmente.

Ah, e não posso deixar de mencionar o quão hilário é o deputado Marcos Pereira, presidente do PRB, afirmar que eles ainda são independentes mesmo depois da nomeação do deputado Sílvio Costa Filho como ministro de Estado. É simplesmente o auge do cinismo na política brasileira! Por que não substituem esses deputados que se tornaram ministros? Afinal, essa seria uma medida tão coerente e justa, não é mesmo?

Artigo: Chico Vigilante, deputado distrital e presidente da Comissão de defesa do Consumidor da Câmara Legislativa do DF. Via 247

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