Fraude na intervenção do Rio envolveu doleiro que enviou cocaína por avião da FAB

Márcio Moufarrege, o 'Macaco', é investigado por transferir dinheiro entre os EUA e o Brasil para militares envolvidos na tentativa de compra fraudulenta de coletes balísticos

Doleiro Márcio Moufarrege (📷: Reprodução)

247 - O nome do doleiro Márcio Moufarrege, conhecido como 'Macaco', que aparece nas investigações sobre a suspeita de fraudes na compra de coletes balísticos durante a intervenção no Rio de Janeiro, em 2018, também está envolvido na engenharia financeira relacionada à apreensão de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) durante a comitiva de Jair Bolsonaro (PL) em 2019.

Segundo o Metrópoles, no escândalo do tráfico internacional de drogas, Moufarrege é acusado de movimentar fundos dos fornecedores dos 37 quilos de cocaína apreendidos com o sargento da FAB Manoel Silva Rodrigues, em Sevilha, na Espanha, em um avião da comitiva presidencial. A apreensão ocorreu em 24 de junho de 2019, após uma série de falhas na fiscalização na Base Aérea de Brasília.  >>> PF deflagra operação para apurar corrupção na intervenção federal no RJ em 2018; Braga Netto tem sigilo telefônico quebrado

No caso da fraude na licitação internacional para a compra de coletes balísticos, Moufarrege é investigado por transferir dinheiro clandestinamente entre os Estados Unidos e o Brasil para militares envolvidos na tentativa de adquirir 9.360 coletes com um sobrepreço de R$ 4,6 milhões. A compra, orçada em cerca de R$ 40 milhões, foi intermediada pelo Gabinete da Intervenção Federal (GIF), comandado pelo general Braga Netto, que posteriormente se tornou ministro da Casa Civil de Bolsonaro. >>> Como ministro de Bolsonaro, Braga Netto manteve contato com lobistas e intermediários ligados a empresas suspeitas de corrupção

Moufarrege foi flagrado no âmbito da Operação Perfídia, deflagrada esta semana pela Polícia Federal, usando um fundo de tela de avião militar. Ele também é réu na Justiça Militar por associação para o tráfico no caso do avião da FAB e foi alvo de busca e apreensão em 2021.

As investigações mais recentes também apontam seu envolvimento em uma operação do tipo dólar-cabo, que teria trazido dinheiro dos Estados Unidos para o Brasil. A suspeita dos investigadores é que esses recursos seriam utilizados no pagamento de propinas para facilitar a contratação dos coletes balísticos. 

A PF registrou transferências de R$ 25 mil para o coronel Robson Queiroz, ligado ao ligado ao gabinete do então interventor, general Braga Netto, e a uma empresa do General Paulo Assis, apontado como um possível lobista. >>> Mensagens interceptadas pela PF mostram alvos de operação dizendo que Braga Netto daria 'uma força' em compra investigada

“Dentro das investigações sobre o tráfico de drogas, há registro de que Moufarrege seria a pessoa que ‘fazia a ligação’” entre militares e vendedores de entorpecentes. A PF diz que um traficante ‘entregava dólares para que Márcio Moufarrege negociasse a venda dessa moeda estrangeira’, em ‘valores elevadíssimos e, portanto, compatíveis com o tráfico internacional de entorpecentes’, destaca a reportagem.

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