Arthur Maia diz que avaliará 'medidas cabíveis' contra ex-assessor de Bolsonaro

Para presidente da CPI, militar descumpre decisão do STF, que autorizou que ele ficasse calado apenas em questões nas quais pudesse se incriminar. Cid se negou a responder a idade que tem, por exemplo.

Por Filipe Matoso e Luiz Felipe Barbiéri, g1

Mauro Cid em depoimento na CPI dos Atos Golpistas — 📷: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O presidente da CPI dos Atos Golpistas, deputado Arthur Maia (União Brasil-BA), afirmou nesta terça-feira (11) que estuda as "medidas cabíveis" contra o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, conhecido como coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Arthur Maia deu a declaração após Mauro Cid ter se negado a responder a todas as perguntas feitas pelos parlamentares durante a sessão desta terça-feira.

No início da sessão, Cid informou que ficaria em silêncio no depoimento. Usou como base a decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o autorizou a ficar calado quando fosse perguntando sobre assuntos que pudessem incriminá-lo.

Cid, contudo, se negou a responder a todas as perguntas. Em um desses questionamentos, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) indagou ao militar qual a idade dele, e Mauro Cid disse que ficaria em silêncio. Diante disso, Arthur Maia declarou:

"Chamei o patrono do tenente-coronel Mauro Cid para dizer a ele que ele estava fazendo com que seu cliente descumpra uma ordem do Supremo Tribunal Federal."

"Isso acarretará na necessidade de nós [...] apresentarmos uma denúncia contra o senhor Cid ao Supremo Tribunal Federal, haja vista que a ministra do Supremo determinou que, aquilo que não o incriminasse, ele tinha obrigação de responder, uma vez que ele não está aqui só como depoente, mas como testemunha. É o procedimento que ele está adotando e, obviamente, cabe à CPI adotar as medidas cabíveis", acrescentou o presidente da CPI.

Na abertura da sessão, Arthur Maia já havia dito a Cid que, embora tivesse obtido a decisão do Supremo, estaria obrigado a responder às perguntas que não fossem relacionadas às investigações sobre ele.

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Braço direito de Bolsonaro no governo, o militar foi questionado sobre esse conteúdo, mas se negou a responder.

Em sua fala inicial, o ex-ajudante de ordens do ex-presidente disse que ficaria em silêncio por ser investigado em inquéritos no STF relacionados, por exemplo:

  • aos atos de 8 de janeiro;
  • à atuação de milícias digitais contra a democracia;
  • à suspeita de fraude no cartão de vacinas de Bolsonaro (razão pela qual Cid está preso).

Diante do silêncio de Mauro Cid em relação a todas as perguntas, Jandira Feghali afirmou que o militar estava descumprindo a decisão do STF. Além disso, a deputada Duda Salabert (PDT-MG) associou o comportamento de Mauro Cid a "covardia".

g1

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