PF conclui não haver provas contra Calheiros no caso da Transpetro

ACUSAÇÃO E DELAÇÃO INFUNDADA

Por José Higídio

Como as versões dos colaboradores não foram confirmadas por outros elementos, a Polícia Federal concluiu, nesta quarta-feira (22/2), que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) não recebeu propina relativa a contratos da Transpetro, empresa de transporte e logística de combustíveis subsidiária da Petrobras.

Senador Renan Calheiros 👆 (MDB-AL). Foto 📷 Waldemir Barreto/Agência Senado

A investigação, originada na "lava jato" e em trâmite no Supremo Tribunal Federal, diz respeito a um suposto esquema de corrupção na transportadora, com repasses de propinas a políticos para manutenção do ex-senador Sérgio Machado (MDB-CE) na presidência da empresa — onde ficou de 2003 a 2014.

O inquérito buscava apurar se Calheiros cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Conforme a delação premiada feita por Machado, o atual senador teria recebido vantagens indevidas pela construção de embarcações do Estaleiro Rio Tietê para a Transpetro em Araçatuba (SP).

A licitação foi vencida pelo consórcio de empresas responsáveis pelo estaleiro. O contrato foi assinado em 2010. Em troca, elas teriam pagado propina a Machado e Calheiros, por meio de doações de campanha ao diretório estadual do MDB (que à época se chamava PMDB) em Alagoas.

A PF, no entanto, rejeitou essa narrativa. Conforme relatos de outros colaboradores — dentre empresários e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa —, Machado realmente organizou um esquema de propinas. Porém, não foram constatados indícios da participação de Calheiros nos pagamentos.

"Nenhum deles trouxe para as investigações elementos de prova que ultrapassassem as suas respectivas versões, com vistas a corroborar o suposto esquema de corrupção que teria como destinatário o parlamentar, permanecendo as provas trazidas e colhidas ao longo das investigações na esfera da suposição, sem substrato material que conduzisse a uma ligação direta com o mencionado congressista", diz o relatório da PF, assinado pela delegada Lorena Lima Nascimento.

"Resta evidente que as delações de Sérgio Machado se revelam frágeis, dúbias e não gozam de qualquer credibilidade", afirma Luís Henrique Machado, advogado do senador. Segundo ele, a defesa aguarda a manifestação do Ministério Público para arquivar o processo, com homologação do Judiciário.

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